Quando a continuidade da tragédia conduz à fadiga da informação
A pandemia e a Guerra na Ucrânia têm, em comum, o factor trágico e a longa exposição do público às notícias produzidas pelos meios de comunicação social. No entanto, após algum tempo ocorrido, as pessoas vão diminuindo a sua atenção perante as informações publicadas.
Para Rebecca Rozelle-Stone, da NiemanLab, “este afastamento faz sentido” já que “estar atento a realidades como a guerra é frequentemente doloroso, porque as pessoas não estão bem preparadas para manter um foco sustentado em ocorrências contínuas ou traumáticas”.
As pessoas afastam-se deste tipo de notícias por se sentirem sobrecarregados, desamparados ou por, simplesmente, existirem outros assuntos que chamem mais a sua atenção. A isto chama-se “cansaço da crise” e, segundo Rozelle-Stone, líderes como o Putin estão conscientes disto.
Para Kaja Kallas, primeira-ministra da Estónia, “a fadiga está a produzir efeito”. Também, Volodymyr Zelenskyy, pediu aos profissionais de marketing, reunidos em Cannes, para que mantivessem o mundo concentrado na situação do país. Mas, “o trágico já se tornou banal”, referiu a jornalista.
Sensibilizar as pessoas durante a cobertura de crises pode colocá-las em contacto com os que sofrem, ou pode, ainda, submete-las a vários traumas.
Além disso, a informação disponível 24 horas por dia alimenta pressões. As novas tecnologias representam um factor de distração e de sobrecarga de informação, o que pode levar a que os leitores consumam menos notícias.
De acordo com um estudo realizado pelo Reuters Institute, o interesse pelas notícias diminuiu significativamente em todos os mercados. Enquanto, em 2017, esse interesse era de 63%, em 2022 baixou para 51%.
Setembro 22
Não é só a fadiga que caracteriza este afastamento. Para o instituto, a filiação política pode representar outra razão para isso acontecer. “Os eleitores conservadores tendem a evitar as notícias, porque as consideram pouco fiáveis ou tendenciosas, enquanto os eleitores liberais evitam as notícias devido a sentimentos de impotência e fadiga”.
Para que seja possível traçar um novo rumo, há estudos que propõem diversas soluções, entre as quais o limite do consumo diário de notícias e a inclusão, por parte dos jornalistas, de histórias que foquem as possíveis soluções para a mudança.
Assim, evitava-se o “estado de alerta permanente” e poder-se-ia contrariar o sentimento de impotência, chamando o leitor à acção.
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