“Conteúdo patrocinado” pode aumentar a desconfiança dos leitores
Perante a crise do sector mediático, as publicações jornalísticas foram obrigadas a implementar novos modelos de negócio, e a adoptar métodos alternativos para a obtenção de receitas.
Assim, um dos fenómenos que mais tem marcado o jornalismo nos últimos anos é a presença de “conteúdo patrocinado”. Isto é: artigos encomendados por uma determinada marca, que se demonstrou disposta a pagar, em troca de destaque nas publicações noticiosas.
No entanto, considerou Natália Huf, num artigo publicado na revista “ObjETHOS”, este tipo de artigos pode não ser tão benéfico como aparenta.
Isto porque se, por um lado, o “conteúdo patrocinado” tem ajudado alguns títulos a assegurarem a sua sustentabilidade financeira, por outro lado, os leitores parecem confusos com esta nova realidade.
Conforme apontou a autora, esta nova forma de gerar receitas permitiu a prosperidade de certos jornais, criando, também, novos postos de trabalho. Isto veio responder, não só, à quebra dos recursos financeiros dos “media”, mas, igualmente, à elevada taxa de desemprego entre os jornalistas.
Ou seja, este modelo permitiu “matar dois coelhos de uma cajadada só”, resolvendo problemas financeiros e de sustentabilidade.
Contudo, continuou Huf, os leitores parecem não estar receptivos a esta mudança, uma vez que veio misturar o jornalismo – que tenta assumir-se como uma profissão isenta e objectiva– com a publicidade – cuja principal função é vender um determinado produto.
Dezembro 21
Conforme indicou a autora, isto pode ter um efeito negativo no nível de confiança atribuído às publicações jornalísticas, que tem sofrido nos últimos anos, devido à disseminação de “fake news”, e aos discursos “anti-media” de certas figuras políticas.
Assim, a articulista sugere que os profissionais da imprensa reflictam sobre este modelo, de forma a apurarem se as receitas são, de facto, mais importantes do que uma relação de proximidade e confiança com os leitores.
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