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A rotina do jornalismo desportivo traída pela emoção de uma tragédia

O jornalismo transporta sempre alguma emoção para os seus leitores, mas nem sempre para os seus profissionais. O autor do artigo que citamos conta que um dos seus mestres lhe dizia que “o jornalista desportivo é o único que vê o facto acontecer no momento, e não corre atrás para descobrir como aconteceu”. Grande parte do seu dia-a-dia profissional era de “uma atividade cansativa, repetitiva e rotineira”. (...) “Estudamos para a frieza, não para a emoção. Mas não existe jornalista desportivo que se sustente apenas na caneta e no papel. Para fazer bom é necessária aquela dose de emoção.” Estes equilíbrios precários foram abalados com a tragédia da equipa Chapecoense. O jornalista brasileiro Bruno Henrique de Moura conta, em texto publicado no Observatório da Imprensa: “Chorei algumas vezes durante os noticiários da tragédia da Chapecoense, especialmente nas notícias relacionadas aos colegas dos media desportivos. Não sei por quê. Simplesmente vinha a vontade e chorava. Não sei se por saber que poderia ser qualquer um de nós, não sei se por saber que a vida é tão frágil e nossa profissão tão inesperada que, na mais rotineira das actividades, podemos virar pauta.” “O jornalista desportivo não é frustrado, pois acompanha o facto de perto. Infelizmente, desta vez, para eles e para nós, essa dádiva saiu pela culatra. Quem acompanha o facto de longe, frustrados, dessa vez, somos nós. Ao menos eles não sentirão nossa dor.” O artigo na íntegra, no Observatório da Imprensa, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria, do qual colhemos também a imagem incluída
Dezembro 16
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