A “genialidade colectiva” da linguagem aplicada aos “media”
Todos os grandes eventos noticiosos influenciam a linguagem utilizada nos “media”, introduzindo novos termos, e reutilizando léxico que havia caído em desuso, recordou Arsene Escolástico num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
De acordo com Escolástico, este fenómeno verificou-se, por exemplo, na pandemia, com a introdução de expressões pouco utilizadas pela maioria do público, tais como: “coronavírus”, “quarentena”, “infodemia”, “confinamento” e “quarentena”. Começou, também, a falar-se da “nova normalidade”.
O mesmo aconteceu com a erupção do vulcão de La Palma, que obrigou os “media” a revisitarem os livros de Ciências Naturais, e a utilizarem termos como “piroclastos” e “cascalho”.
Contudo, a utilização de novo léxico não serve, apenas, para os cidadãos se familiarizarem com novos termos. Serve, acima de tudo, para veicular conhecimento sobre várias áreas, que não são abordadas no quotidiano.
Além disso, a introdução e renovação dos nossos “dicionários pessoais” pode ser o primeiro sinal do aparecimento de novas leis. Até porque, conforme assinalou o autor, “os oradores estão à frente dos legisladores”.
Escolástico recordou, neste âmbito, que, em Espanha, muitas expressões começam por ser utilizadas em contexto informal ou noticioso, para depois serem introduzidas na Constituição.
Abril 22
O mesmo acontece com debates sociais, que começam por ser discutidos num ambiente cívico, chegando, mais tarde, a integrar os assuntos Parlamentares.
Assim, Escolástico considera que a “genialidade colectiva da linguagem” não deve ser desvalorizada, uma vez que é um motor de mudanças significativas, que poderão, mais tarde, moldar a vida académica e institucional.
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