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A distorção mediática e a revolução digital

A revolução digital trouxe numerosos benefícios para a sociedade, tal como o aumento e rapidez da propagação de informação. Em contrapartida, o oposto também é verdade, pois a informação a ser partilhada não representa, muitas vezes, a realidade. Num texto publicado em Media-Tics, Miguel Ormaetxea observou que um estudo da CIS, em Espanha, obteve resultados contraditórios, pois apesar de 60% dos seus habitantes relatarem que a sua própria situação económica era boa, 43% defenderam que, a nível global, esta era insatisfatória e 30% que chegava a ser horrível. Esta não é, no entanto, a única contradição a nível de distorção de informação. Apesar de Espanha estar entre os 15 países mais ricos do mundo, com uma alta expectativa de vida, uma baixa taxa de homicídios e destacar-se em áreas como a aquacultura e a gastronomia, os media transmitem o oposto. Na luta pelo clickbait e pela atenção do público, existe uma tendência de exploração de acontecimentos mais alarmistas, transmitindo, por exemplo, todo o tipo de crimes. Este é, porém, um fenómeno predominante não só em Espanha, mas a nível global. Ormaetxea afirmou que “o mundo retratado pelos media, com algumas exceções notáveis do jornalismo de alta qualidade, é uma apoteose de tumultos, guerras, conflitos, desordem e ascensão de ditaduras”, sendo que é necessário não confundir informação com opinião.
Novembro 22
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