SJ recupera boicote aprovado em Congresso de 2017
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) apelou às redacções e às direcções de informação para que não enviem jornalistas às declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, quando não haja possibilidade de colocar perguntas. No comunicado, intitulado "Se Montenegro não aceita perguntas, boicotem as declarações", o sindicato acusa o chefe do Governo de ter tornado habitual a realização de declarações públicas sem que haja espaço para questões dos jornalistas.
Num episódio recente, Luís Montenegro, após o Conselho de Ministros, apresentou as medidas aprovadas pelo Governo sem responder a perguntas. "Se não permitem colocar questões, não devem estar jornalistas presentes", defende o SJ.
O sindicato recorda que o IV Congresso dos Jornalistas aprovou uma proposta de boicote a conferências de imprensa em que os jornalistas não possam fazer perguntas. Para o SJ, impedir a colocação de questões limita o exercício da actividade jornalística, sobretudo no escrutínio de quem ocupa posições de poder, públicas ou privadas.
"Impedir perguntas é impedir a prática jornalística. É imperiosa a necessidade de questionar as pessoas em posições de poder, sejam decisores públicos ou privados", lê-se no comunicado. Sem essa possibilidade, acrescenta o sindicato, transmitir as declarações é participar num exercício de propaganda, e "mais vale que enviem um comunicado de imprensa".
O SJ recorre ainda a um episódio de 25 de Abril de 1974. Lembra que Salgueiro Maia, em pleno cerco ao Quartel do Carmo, tirou 14 minutos para responder às perguntas da imprensa sobre o golpe em curso, de costas voltadas para os militares da GNR que recusavam render-se. Meio século depois, conclui o sindicato, seria de esperar que o líder do executivo PSD/CDS fizesse o mesmo e reservasse sempre espaço para perguntas quando deseja falar ao público.
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