Treinar o modelo de IA Amália com os arquivos dos “media”
O Governo vai iniciar um “diálogo” com as empresas de comunicação social para avaliar a possibilidade de utilizar os seus arquivos mais recentes no treino do modelo de inteligência artificial (IA) Amália. O objectivo, segundo o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, é que Portugal dê o exemplo na relação entre um modelo nacional de IA e os órgãos de comunicação social, “que muitas vezes, como se sabe, levantam preocupações sobre a utilização dos seus arquivos”.
A utilização de conteúdos jornalísticos no desenvolvimento de modelos de IA tem gerado preocupação entre os órgãos de comunicação social, sobretudo devido ao risco de utilização de arquivos protegidos por direitos de autor sem autorização ou compensação. No entanto, o Governo não avançou ainda com detalhes sobre o futuro processo de negociação. Leitão Amaro não especificou quando terão início as conversações nem quais serão os moldes para o eventual acesso aos arquivos.
Amália vai receber mais dados e capacidades
A nova fase do projecto prevê também o reforço das bases de dados utilizadas no treino e nas consultas ao modelo. Para além dos conteúdos provenientes dos meios de comunicação social, o Governo pretende recorrer a informação de entidades e serviços públicos, incluindo a Biblioteca Nacional, a Cinemateca, arquivos e museus. O Amália deverá também aumentar as suas capacidades de processamento, passando a interpretar não apenas texto, mas também áudio e imagem.
Para esta nova fase, o Governo anunciou um investimento de 1,8 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Segundo Leitão Amaro, o objectivo é que o projecto deixe de funcionar apenas como um protótipo e passe a ter uma utilização concreta na Administração Pública. O modelo deverá ser integrado no atendimento dos serviços públicos, ajudando os cidadãos no acesso a diferentes serviços.
Desenvolvido especificamente para a língua portuguesa, o Amália está a ser implementado na aplicação Gov.pt, com uma primeira utilização destinada a apoiar os cidadãos no acesso aos serviços públicos, incluindo processos como a renovação do Cartão de Cidadão. A ferramenta estará disponível tanto na versão para computador como na aplicação móvel.
Investimento total chega aos sete milhões de euros
O investimento global previsto para o desenvolvimento do modelo de IA ascende a sete milhões de euros. A este montante juntam-se sinergias resultantes de investimentos já realizados em infraestruturas nacionais de computação, nomeadamente nos supercomputadores Deucalion e MareNostrum 5, que ultrapassam os 12 milhões de euros.
O Amália está a ser disponibilizado a diferentes áreas da Administração Pública, incluindo educação, defesa, cultura, saúde e atendimento ao cidadão.
O acesso a arquivos jornalísticos poderá permitir reforçar a quantidade e diversidade de informação em língua portuguesa disponível para o treino da IA, mas coloca questões relacionadas com direitos de autor, condições de utilização dos conteúdos e eventual compensação aos seus titulares.
(Créditos da imagem: João Lima/NOVA FCT)