O jornal britânico The Economist lançou uma nova campanha de outdoor no Reino Unido e nos Estados Unidos, num tom que se opõe à crescente dependência da inteligência artificial (IA). 

Os suportes publicitários foram colocados em pontos de grande circulação de ambos os países. Nos Estados Unidos, a campanha está presente no World Trade Center e nas estações de metro de Nova Iorque e Chicago; no Reino Unido, ocupa espaços em Leicester Square, Carnaby Street e Canary Wharf, em Londres. 

Entre as mensagens que compõem a campanha contam-se frases como "Authentic intelligence" ("Inteligência autêntica"), "Chaos, organised" ("Caos, organizado"), "Think outside the bot" (um trocadilho com a expressão "pensar fora da caixa", substituindo "box" por "bot") e "May cause your opinion to gain weight" ("Pode fazer a sua opinião ganhar peso"). Todas estas frases reforçam a ideia de um jornalismo humano, analítico e independente, em contraste com o conteúdo gerado por máquinas. 

A colaboração entre o The Economist e a Cocogun tem uma origem pouco convencional. Tudo começou no ano passado, quando Ant Melder, cofundador e parceiro criativo da agência, publicou no LinkedIn, por iniciativa própria, alguns conceitos criativos que tinha desenvolvido para o jornal, sem que este os tivesse encomendado. A repercussão gerada pelas publicações foi tal que acabou por chamar a atenção do próprio The Economist, que decidiu convidar a agência para uma colaboração oficial. 

Citado em comunicado de imprensa, Melder reconhece o peso da responsabilidade de continuar um legado publicitário histórico, referindo-se indirectamente a David Abbott, fundador da agência Abbott Mead Vickers e autor da icónica identidade visual a branco sobre vermelho do The Economist, criada em 1984. 

A relação do The Economist com a inteligência artificial tem ganhado cada vez mais destaque. O jornal integrou recentemente a coligação Standards for Publisher Usage Rights (SPUR), criada para definir normas partilhadas de licenciamento de conteúdos jornalísticos para uso por sistemas de IA. A iniciativa foi fundada pela BBC, pelo Financial Times, pelo The Guardian, pela Sky News e pelo Telegraph Media Group. 

Em 2025, o The Economist assinou também o seu primeiro acordo de licenciamento de conteúdos com o NotebookLM, o assistente de pesquisa alimentado por IA da Google. 

(Créditos da imagem: Site Famous Campaigns)