O Grupo TF1 registou uma quebra nos resultados no primeiro trimestre de 2026, num contexto marcado pela desaceleração do mercado publicitário televisivo em França. Apesar da descida das receitas e da rentabilidade, a empresa mantém os objectivos estratégicos para o próximo exercício, apostando no crescimento da plataforma digital TF1+ e no acordo de distribuição firmado com a Netflix. 

Segundo os resultados divulgados pelo Grupo audiovisual francês, o volume de negócios atingiu os 472 milhões de euros entre Janeiro e Março, representando uma descida de 5% em termos comparáveis. O resultado operacional corrente caiu para 13 milhões de euros, menos 30 milhões do que no mesmo período do ano anterior, enquanto a margem operacional se fixou nos 2,8%. 

“Tal como previsto, a rentabilidade foi afectada neste trimestre pela queda das receitas publicitárias lineares”, afirmou Pierre-Alain Gérard, responsável pelas áreas financeira e de estratégia de compras do Grupo. Ainda assim, o responsável sublinhou que a empresa optou por manter os investimentos em programação para apoiar a nova oferta comercial do canal. 

Apesar da pressão sobre as receitas, o Grupo destaca a solidez da sua situação financeira. “A situação financeira do Grupo continua muito sólida, com uma tesouraria líquida de 565 milhões de euros no final de Março”, acrescentou Pierre-Alain Gérard. 

As audiências continuam a ser um dos principais pontos fortes da TF1. O canal mantém a liderança nos segmentos comerciais estratégicos e reforçou a sua posição junto do público com mais de quatro anos. A estação concentra 25 das 30 maiores audiências francesas na faixa etária dos 25 aos 49 anos, mantendo uma vantagem de oito pontos sobre a concorrente France 2 nesse segmento. 

Também o canal informativo LCI registou resultados históricos em Março, impulsionado pela cobertura do conflito no Médio Oriente. A estação alcançou uma quota de audiência de 3,2% entre o público com mais de quatro anos, o melhor desempenho mensal da sua história. 

No entanto, o mercado publicitário continua a penalizar os Grupos audiovisuais franceses. As receitas publicitárias da TF1 caíram 7%, fixando-se nos 337 milhões de euros. Ainda assim, o Grupo considera ter conseguido ganhar quota de mercado num sector em contracção. 

Uma das principais apostas estratégicas da empresa continua a ser a plataforma digital TF1+, lançada há dois anos e que já reúne, em média, 41 milhões de utilizadores mensais. As receitas publicitárias digitais associadas à plataforma cresceram mais de 20% em termos homólogos, atingindo 49 milhões de euros no primeiro trimestre. 

Apesar do contexto económico adverso, a TF1 mantém o objectivo de alcançar um crescimento de dois dígitos nas receitas digitais em 2026, bem como uma política de dividendos crescente nos próximos anos. 

No plano editorial, o Grupo aposta em conteúdos de entretenimento e ficção para sustentar as audiências. Entre os destaques da programação para os próximos meses estão as séries “L’été 36” e “La Comtesse de Monte-Cristo”, além do regresso de formatos como Koh-Lanta, The Voice e Secret Story. 

A empresa prepara-se ainda para expandir a distribuição dos seus conteúdos através da Netflix, num acordo cuja implementação está prevista para este Verão, cerca de um ano depois da assinatura da parceria entre ambas as plataformas. 

Paralelamente, o Studio TF1 vai estrear-se este ano na distribuição cinematográfica, com quatro filmes já programados para exibição em salas, incluindo uma biografia dedicada a Jean Moulin. 

O Grupo acredita que estas iniciativas poderão compensar parte das dificuldades enfrentadas pelo sector televisivo tradicional.

(Créditos da imagem: Grupo TF1)