Relatório revela que jovens procuram notícias mais divertidas…
Na indústria jornalística, há muito que os dados apontam para uma realidade incontornável: jovens e adultos mais velhos consomem informação de formas distintas. Contudo, um novo relatório, publicado pelo Nieman Lab, vem acrescentar uma outra dimensão a esta análise — não se trata apenas de onde os jovens procuram notícias, mas também de como desejam que estas lhes sejam apresentadas.
De acordo com o estudo, os adultos com 55 anos ou mais continuam a privilegiar fontes tradicionais, como televisão, rádio e imprensa escrita. Já os mais jovens, em particular entre os 18 e os 24 anos, recorrem cada vez mais a plataformas digitais, influenciadores e até ferramentas de inteligência artificial para se manterem informados.
Perante esta mudança de hábitos, as redacções têm procurado adaptar-se para captar a atenção das gerações mais novas. Porém, o relatório sugere que a questão central poderá não estar apenas nos canais de distribuição, mas no próprio conteúdo.
No fundo, os jovens querem notícias mais divertidas. Num contexto mediático saturado, onde a informação compete com múltiplas formas de entretenimento, os conteúdos noticiosos que conseguem informar e, simultaneamente, entreter parecem ter maior capacidade de atracção.
O estudo baseia-se numa década de investigação sobre padrões de consumo de notícias, comparando jovens adultos com indivíduos mais velhos. Ambos os grupos demonstram interesse por notícias locais e internacionais, mas divergem significativamente noutras preferências.
Entre os jovens, as chamadas “notícias divertidas” (que incluem sátira e conteúdos humorísticos) ocupam uma posição de destaque, surgindo em quinto lugar. Já entre os mais velhos, este tipo de conteúdos aparece apenas na décima posição.
Os autores do relatório atribuem esta tendência à crescente utilização de plataformas que combinam informação e entretenimento quase em simultâneo. Este fenómeno estará a moldar não só os hábitos de consumo, mas também as expectativas do público mais jovem.
Apesar de, em geral, considerarem que os meios de comunicação cumprem o seu papel informativo, os jovens revelam alguma insatisfação noutras dimensões. Em particular, sentem que as notícias são menos eficazes a proporcionar uma visão mais positiva do mundo.
O relatório sublinha ainda que os hábitos de consumo desta faixa etária não são homogéneos e têm evoluído de forma significativa ao longo do tempo. Se em 2015 os jovens privilegiavam sobretudo o consumo online tradicional, em 2025 observou-se uma clara inclinação para conteúdos distribuídos através de redes sociais.
Além disso, destaca-se o crescente interesse por formatos de áudio e vídeo, bem como por conteúdos que transmitam autenticidade e proximidade, frequentemente associados a personalidades marcantes. Paralelamente, os jovens posicionam-se na linha da frente da adopção de novas tecnologias, demonstrando maior abertura à utilização de inteligência artificial no jornalismo.
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