A maioria dos espanhóis atribui aos “media” culpas no medo social
A percepção de que os meios de comunicação contribuem para intensificar sentimentos de medo e apreensão na sociedade espanhola é uma das principais conclusões do “Estudo sobre os receios da sociedade actual”, recentemente divulgado pelo Centro de Investigações Sociológicas de Espanha.
De acordo com os dados recolhidos, 77% dos inquiridos acredita que, em Espanha, os media desempenham um papel activo no aumento da sensação de insegurança e inquietação colectiva. Trata-se de uma opinião transversal, que atravessa diferentes segmentos da população e não apresenta variações significativas quando analisada à luz de factores como sexo, idade, nível de escolaridade, orientação ideológica, local de residência, crenças religiosas ou classe social.
A leitura detalhada dos resultados confirma essa homogeneidade. Entre as mulheres, 76% partilha dessa opinião, valor que sobe ligeiramente para 78% entre os homens. No que diz respeito às faixas etárias, os jovens entre os 18 e os 24 anos registam uma taxa de concordância de 79%, enquanto os adultos entre os 35 e os 44 anos atingem os 80%. Já entre os cidadãos com idades compreendidas entre os 65 e os 74 anos, o valor situa-se nos 74%. Nas restantes categorias analisadas, os números mantêm-se consistentes, oscilando entre os 70% e os 80%.
Critérios editoriais sob escrutínio
Perante este cenário, impõe-se uma reflexão mais aprofundada sobre o papel dos meios de comunicação num contexto marcado por uma crescente instabilidade internacional. Para além dos factores externos que alimentam a incerteza, como crises geopolíticas, económicas ou sociais, importa questionar até que ponto as opções editoriais — nomeadamente na selecção de temas, no enquadramento das notícias e na escolha de imagens — poderão estar a contribuir para amplificar esse sentimento de apreensão.
A forma como os noticiários são estruturados, as prioridades estabelecidas nas grelhas informativas e a lógica de publicação nos meios digitais assumem, neste contexto, um papel determinante. A ênfase em conteúdos negativos ou alarmistas poderá, segundo alguns analistas, reforçar a percepção de risco e insegurança, independentemente da realidade objectiva.
(Créditos da imagem: Unsplash)