Espanha debate desinformação, jornalismo e inteligência artificial
Realizou-se em Granada, Espanha, um debate no âmbito do tema “perspetivas sobre a desinformação, jornalismo e inteligência artificial”.
Um dos participantes neste debate foi o professor de comunicação e jornalismo na Universidade de Navarra e especialista em desinformação, Ramón Salaverría, que argumentou que o jornalismo pode estar à beira de um “precipício jornalístico”.
Segundo o especialista, os algoritmos das tecnologias de produção de conteúdo, actualmente utilizadas no jornalismo, privilegiam cada vez mais os cliques em vez da honestidade informativa. E acrescentou que, em consequência, “os conteúdos falsos tendem a difundir-se mais” e têm mais visibilidade.
Juan Gomes Romero, especialista em Inteligência Artificial (IA) e participante no debate, sugeriu que IA pode fazer parte da solução, explicando que esta tem potencial para ajudar no estudo dos padrões habituais na desinformação, assim como a evolução destes, combatendo, assim, rumores e boatos.
Salaverría chamou, também, a atenção para a diferença entre desinformação e opinião. Definiu, então, a primeiro como “um conteúdo falso e, como tal, manipulado e divulgado”, não devendo ser aceite como uma mera opinião diferente daquela que possamos defender.
Adicionalmente, o professor sublinhou que, actualmente, o limite entre a desinformação e a opinião é quase nulo, existindo opiniões diferentes a serem classificadas como mentiras, assim como informação falsa a ser denominada de opinião.
As redes sociais, descritas por Salaverría como “territórios de debate público”, foram igualmente descritas como um espaço propício à desinformação.
Baseado no aumento de conteúdo falso nos media face à invasão russa da Ucrânia, foi enfatizado durante o debate que o cenário voltaria a repetir-se, com mais desinformação proveniente da crise energética que se aproxima.
Novembro 22
Beatriz Marín Garcia, analista de informação e comunicação e membro da unidade técnica do Serviço Europeu para a Acção Externa (SEAE), acrescentou que os temas deste conteúdo irão variar consoante os países e/ou áreas geográficas alvos.
Alertou, também, para a necessidade de adoptar um paradigma de mais atenção e mais focado no trabalho de pesquisa, assim como para aprofundar o conhecimento dos sistemas de produção e publicação subjacente aos media.
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