Jornalistas russos perseguidos por cobrirem manifestações anti mobilização para a Ucrânia
Pelo menos 20 jornalistas foram perseguidos por cobrir manifestações em mais de 10 cidades russas desde o início da mobilização, revela a Associacion de la Prensa de Madrid (APM) que cita um relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Uma nota da RSF, denuncia a obstrução do trabalho de dezenas de jornalistas em toda a Rússia, submetidos a assédio policial, intimidados e agredidos por exercerem a sua profissão a cobrir as manifestações contra as mobilizações "parciais" para reforço das tropas russas que invadiram a Ucrânia.
A organização insiste com as autoridades russas para deixarem de assediar os meios de comunicação.
"Entre prisões, intimidações, violência física e apreensão de material, pelo menos 20 jornalistas foram perseguidos pela cobertura das manifestações realizadas em mais de 10 cidades russas desde o início da mobilização.
Os alvos incluem os jornalistas; Yulia Vishnevetskaya, correspondente da Radio Free Europe/Radio Liberty, presa por cobrir as manifestações em Makhachkala; Andrei Kichev, correspondente do Rusnews, preso no passado dia 24 de Setembro, apesar de usar um colete com a inscrição "Imprensa"; e o editor da Rusnews, SergeiAinbinder, já preso duas vezes.
Segundo informa a associação madrilena, “a violência policial está a espalhar-se por toda a Rússia e já afectou o correspondente da SOTAvision Fedor Orlov, preso enquanto cobria uma manifestação na cidade de Voronezh no passado dia 21 de Setembro; e as repórteres do Yekaterinburg; Irina Salomatova de Rusnews, Kristina Khaker de Rosderzhava e Alevtina Trynova de Vecherniye Vedomostis, presas várias vezes a 24 de Setembro de 2022.
Em Moscovo, segundo revela o relatório, a repórter do Baza Ksenia Khabibulina estava a gravar uma entrevista perto de um centro de recrutamento no dia 23 de Setembro passado, quando a polícia deteve e a levou para a esquadra. Em São Petersburgo, a polícia invadiu a casa da fotojornalista Viktoria Arefieva, durante a madrugada de 24 de Setembro.
Esse assédio aos jornalistas reflecte o endurecimento da legislação sobre os media desde que a Rússia iniciou a invasão da Ucrânia.
Outubro 22
A APM, revela que ao abrigo da emenda à “Lei de Desinformação de 2019”, aprovada no passado dia 4 de Março, os jornalistas podem ser condenados até 15 anos de prisão, por publicarem informações sobre os militares russos, consideradas pelas autoridades, "falsas" e ponham em causa a credibilidade dos militares ou das suas instituições.
A Rússia está classificada em 155º lugar em 180 no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2022 da RSF.
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