A Inteligência Artificial como revolução tecnológica e ferramenta de mudança para o jornalismo
Restam poucas duvidas sobre a crescente importância da Inteligência Artificial (IA), como elemento tecnológico fundamental para o progresso da humanidade e dos negócios nas próximas décadas.
Como defende Miguel Ormaetxea, citando o especialista Kevin Kelly, “o plano de negócios das próximas 10 mil empresas de sucesso, em qualquer sector, é pegar numa empresa e adicionar-lhe Inteligência Artificial”. Mas, como é que os media se estão a posicionar nesta área tão importante? “Receio que não muito bem” afirma no artigo publicado na Media-tics.
As empresas de media que já estão a tirar partido da IA, em diferentes fases, mas, ainda de forma muito embrionária, para melhorar resultados, audiências, assinaturas, até mesmo para lançar artigos automatizados para tarefas jornalísticas pouco criativas.
O autor dá um exemplo: “temos um programa de IA chamado Dall-E, desenvolvido pela Open-AI, que cria imagens a partir de instruções verbais. Actualmente consegue resultados de 1024 X 1024 pixels, com os quais podem ser criadas poderosas imagens originais, sem pintura ou algo semelhante, combinando conceitos, atributos e estilos, o que possibilita ilustrar artigos ou relatórios”. No entanto alerta para o facto de as empresas que vivem da venda de imagens ou bancos de fotos sentirem os seus “negócios ameaçados”.
O desenvolvimento tecnológico da AI vai com certeza “revolucionar o mercado, os media terão cada vez mais que “oferecer vídeos e imagens muito atraentes”.
Ormaetxea, faz um aviso pertinente: “Os jornalistas deviam interessar-se por essas inovações” e cita uma pesquisa do Reuters Institute que conclui que “os repórteres não são os primeiros a adoptar novas tecnologias, muitas vezes contentam-se apenas com o que estão mais familiarizados e no jornalismo não há a cultura de experimentar e procurar novas ferramentas”.
“Os jornalistas são receptores passivos da tecnologia” afirma acrescentando um aviso – “se querem continuar nesta excitante profissão, devem abraçar as mudanças tecnológicas e entender as suas tendências”.
O autor considera que uma das razões da actual crise decorre do sucesso histórico da imprensa como negócio.
Outubro 22
“Durante décadas, obtiveram lucros em torno dos 40 por cento ao ano, além de uma influência desproporcional no futuro dos seus países, na maioria das nações industrializadas e, muito particularmente, nos Estados Unidos”. Ao tentar defender a sua posição dominante, segundo Ormaetxea, a indústria adoptou uma “imobilidade suicida”. O autor culpa por esta opção, “especialmente os gestores que não são jornalistas”.
“Não entenderam a revolução digital e a sua primeira reacção foi oferecer gratuitamente na Internet as informações pelas quais cobravam generosamente nas bancas, anestesiados pela publicidade contínua” o que terá conduzido ao “desemprego de milhares de jornalistas” e a uma “situação de precariedade” de muitos outros. Além disso, passou-se a disponibilizar uma “informação totalmente contaminada”.
Segundo o autor, a IA, ainda mal começou a introduzir-se no sector, nomeadamente na pesquisa de informações significativas disponíveis na Internet, auxiliadas pela IA. “Não devemos esquecer que o que chamamos de notícias, repetidas incansavelmente por milhares de todos os tipos de media, será no futuro uma mercadoria de custo zero” afirma.
Dada a importância da imagem no mundo digital, Ormaetxea defende que os futuros jornalistas devem posicionar-se “na vanguarda dessa fronteira que avança rapidamente”, onde “quase tudo está por fazer”.
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