“Deepfakes” podem alterar a história e afectar a democracia
O Centro de Tecnologia Avançada do Massachussets Institute of Technology (MIT) criou uma ferramenta para simular “deepfakes”, a fim de explicar que este tipo de informação falsa é extremamente poderosa, tendo, aliás, a capacidade de reescrever eventos históricos, alertou Nicole De March num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Conforme indicou De March, o MIT produziu um vídeo que simula uma realidade alternativa da missão Apollo 11, na qual os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin nunca conseguiram regressar da aterragem lunar.
Isto é possível, explica a autora, porque já existe tecnologia que sintetiza a voz de qualquer pessoa, e altera os “frames” de vídeos, tornando-os realistas e credíveis para os consumidores menos informados sobre factos históricos.
Para já, este é um fenómeno que afecta, principalmente, os países de língua inglesa, uma vez que os "softwares" foram desenvolvidos para este público.
No entanto, começam a aparecer ferramentas de sintetização e clonagem de língua portuguesa, mas que ainda não conseguem reproduzir certos fonemas, o que faz com que as “deepfakes” destinadas ao público lusófono ainda não sejam tão credíveis.
Contudo, apontou a autora, alguns estudos indicam que 81% dos brasileiros, com mais de 16 anos, utilizam a ferramenta de áudio do WhatsApp para comunicar com amigos e familiares, pelo que poderão entrar em contacto com futuras “deepfakes” neste formato.
Julho 22
Perante esta realidade, apontou De March, é crucial que os cidadãos estejam atentos à evolução das estratégias de desinformação, com destaque para as épocas de eleições, em que as campanhas de descredibilização de candidatos proliferam no espaço digital.
Neste contexto, a autora recorda os alertas de Magaly Prado, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo e autora do livro ‘‘Fake News e Inteligência Artificial”, que recorda que “a crescente facilidade do uso de ‘softwares’ para a manipulação de voz representa uma ameaça às eleições, já que assim é possível manipular a voz de qualquer candidato para atacá-lo.”
“Desta forma – destaca Prado – a manipulação acaba por moldar o pensamento e comportamento dos cidadãos, prejudicando a democracia”.
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