Jornalistas “freelancer” espanhóis enfrentam dificuldades na Ucrânia
Desde o início da invasão da Ucrânia, morreram, pelo menos, 32 jornalistas. Ainda assim, os “media” espanhóis continuam a desvalorizar o trabalho desenvolvido por estes profissionais, negligenciando a sua segurança, e oferecendo remunerações baixas, considerou Mónica G. Prieto, num artigo publicado nos“Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Conforme apontou a autora, este problema afecta, principalmente, os jornalistas “freelancer”, que não têm um salário fixo, e recebem, apenas, quando conseguem vender uma peça a um meio de comunicação.
É esse o caso do fotojornalista Diogo Herrera, que se estreou enquanto repórter de guerra na Ucrânia, e que, em vez de vender as suas peças junto da imprensa espanhola, colabora com agências noticiosas de outros países, tais como a Anadolu, da Turquia.
“Enquanto ‘freelancer’ tenho de enviar material todos os dias. Se não, não recebo dinheiro. Não preciso de um intermediário, porque conheço o idioma, mas não posso tirar um dia para fazer contactos, porque isso significa perder dinheiro”, explicou.
Além disso, por norma, os jornalistas “freelancer” não têm qualquer tipo de ajuda de custo, tendo de administrar a sua remuneração para pagar a produtores, financiar deslocações, e abastecer os meios de transporte, em caso da utilização de automóveis. Há, também, que pagar por alojamento, por alimentação e por seguros.
Como tal, os jornalistas “freelancer” tendem a vender as suas peças aos “media” que oferecem um valor superior, e que fornecem outras benesses, tais como materiais de protecção.
Aliás, considerou a autora, existe um grande contraste entre a imprensa espanhola, que ignora a figura do correspondente de guerra, e os jornais anglo-saxónicos, que dão prioridade à segurança dos seus colaboradores.
Julho 22
A título de exemplo, os “freelancers” que colaboram com a Associated Press ou o “Wall Street Journal” são enviados para o terreno com coletes à prova de bala, capacetes e “kit” de primeiros socorros. No caso dos jornalistas independentes espanhóis, por outro lado, regista-se uma grande dificuldade no acesso a este tipo de equipamento.
No entanto, há problemas que são transversais a todos os profissionais dos “media”, quer trabalhem por conta de outrem, quer o façam de forma independente. Isto inclui, por exemplo, o controlo do discurso por parte do governo ucraniano que, através de estratégias tecnológicas e narrativas, procura evitar a desmoralização das suas tropas.
Além disso, é quase impossível contar a perspectiva russa, devido às novas restrições impostas à imprensa pelo Kremlin, o que limita a pluralidade da cobertura narrativa sobre o conflito.
Perante este cenário, a autora – também ela jornalista “freelancer” – considera essencial a valorização dos profissionais independentes, que continuam a narrar uma realidade adversa, apesar das dificuldades enfrentadas.
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