Kremlin mais sofisticado na desinformação do Facebook
O Facebook está a ter dificuldade em travar as campanhas de desinformação desenvolvidas pelo Kremlin, e dirigidas aos cidadãos do Oeste africano.
Conforme apontou o “Guardian”, apesar de a rede social ter feito avanços significativos para a moderação de conteúdo, continua a enfrentar desafios na desmistificação de campanhas deliberadas.
Isto acontece porque o Kremlin tem vindo a desenvolver estratégias sofisticadas que, apesar de conterem mensagens anti-democráticas, continuam a respeitar as normas de utilização do Facebook.
A título de exemplo, já foram identificadas diversas páginas pró-Kremlin dirigidas a cidadãos do Mali, que partilham campanhas de apoio ao governo russo.
Contudo, o Facebook recusou-se a eliminar estas secções, uma vez que os seus membros apresentavam perfis e comportamentos “verdadeiros”, não “fabricados” por uma outra entidade, apesar de estarem, claramente, coordenados.
Perante este cenário, o investigador Toussaint Nothias – que já trabalhou, em diversas ocasiões, com o Facebook – disse que estas problemáticas representam um grande desafio para a moderação eficaz de conteúdo.
“A barreira entre comportamentos ‘verdadeiros’ e ‘fabricados’ é muito difícil de gerir. Os ‘comportamentos verdadeiros coordenados’ podem assemelhar-se a movimentos sociais. Por isso, perceber se este tipo de organização é prejudicial depende muito do contexto e do ponto de vista”, explicou Nothias.
Entretanto, um porta-voz do Meta, empresa-mãe do Facebook, explicou que a rede social está a analisar esta realidade, desenvolvendo novas estratégias para combatê-la.
Abril 22
“Conseguimos construir a maior rede independente de ‘fact-checking’ do mundo, e temos intensificado o combate às notícias falsas”, afirmou o porta-voz. “Apesar de ser impossível eliminar, por completo, a desinformação das sociedades, o nosso programa está a trabalhar para resolver os problemas inerentes da forma mais eficaz possível”.
Por outro lado, um relatório da Digital Forensic Lab explicou que o Kremlin continuará a explorar as lacunas das normas do Facebook, para que as campanhas de desinformação cheguem ao seu público-alvo.
Aliás, exemplificou o mesmo estudo, o governo de Moscovo começou a contratar utilizadores das redes sociais, para que estes interajam com os grupos pró-russos, de uma forma que seja considerada “autêntica”, e confundida como parte de um “movimento social coordenado”.
Assim, será cada vez mais difícil desmantelar estes movimentos.
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