A importância dos “tons de cinzento” no jornalismo sobre a pandemia
O jornalismo da era digital está a ignorar a complexidade de determinados fenómenos da actualidade, seguindo uma rotina secular, e reduzindo a verdade a apenas duas faces de uma mesma moeda.
Conforme apontou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria, isto tornou-se evidente com a pandemia, uma vez que a imprensa criou uma sequência de falsas dicotomias, a pretexto de simplificar questões complexas, e de facilitar a compreensão por parte do público.
Assim, continuou o autor, a maioria dos “media” optou por uma de duas categorias sobre a crise sanitária: grave ou suave. Ou seja, enquanto alguns meios jornalísticos pintaram a pandemia como algo “catastrófico”, outros reduziram-na a uma “simples constipação”.
Ver o mundo em preto ou branco, diz Castilho, faz com que ignoremos os cenários “cinzentos” entre dois extremos, principalmente quando enfrentamos problemas com consequências directas para a nossa sociedade.
Contudo, perante a avalanche informativa disponível na internet, o público passou a necessitar de uma maior contextualização e apoio por parte dos jornalistas que, neste contexto, deveriam ter ajudado o público a navegar a “infodemia”.
Por isso mesmo, afirmou o autor, tornou-se evidente que os jornalistas precisam, agora, de rever todo um conjunto de rotinas, regras e valores, consagrados na maioria dos manuais de redacção.
Até porque, disse Castilho, ao simplificar problemas complexos como o da Covid, o jornalismo entra em cumplicidade com as elites políticas e empresariais, que reduziram a questão a apenas duas alternativas, contribuindo para o agravamento da polarização político/ideológica.
Fevereiro 22
Por isso mesmo, Castilho alerta para a necessidade de os jornalistas abraçarem os “diversos tons de cinzento” que estão associados à pandemia, aceitando a complexidade do fenómeno, bem como as novas regras que estão associadas a esta nova abordagem.
Só assim, concluiu o autor, é que será possível combater a polarização social num assunto de saúde pública, contribuindo para o bem-estar de todos os cidadãos.
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