No decurso da sua intervenção, Fernando Urbaneja fez o diagnóstico do descrédito que atinge os meios de comunicação, definindo duas razões principais: a “banalização dos conteúdos” e o alinhamento político dos meios, que “produz previsibilidade”. 

Também chamou a atenção para a falta de transparência no próprio sector dos media, tão mais chocante quanto “a todos os outros exigimos a máxima transparência”. E citou outra ameaça, a dos conflitos de intereses na profissão, defendendo que haja “um código ético de incompatibilidades e transparência específico para o sector”. 

Javier Errea, professor na Universidade de Navarra, afirmou, entre outras coisas, que “as empresas estão absolutamente dominadas por directores ignorantes e com corações na forma de calculadora”. 

Giles Tremlett, do diário britânico The Guardian, sublinhou a importância dos meios de comunicação face às redes sociais como o Facebook, onde se criam “guetos informativos” e os seus utentes só lêem o que partilham com os seus amigos, provocando “uma espécie de complacência mútua onde simplesmente estamos a ajudá-los a manterem-se nas suas ideias”. 

Representando os gestores dos media, Eva Fernández, CEO de El Español, afirmou que o problema fundamental é “a falta de um modelo de negócio que faça com que estes meios sejam independentes”; o actual modelo, como disse, é baseado na publicidade “e, o que é pior, baseado no clic”, que não mede “os tempos de permanência, de leitura ou de qualidade da informação”.  

Raphael Minder, correspondente do The New York Times para Espanha e Portugal, sublinhou que, para defender a credibilidade dos media, é necessário modificar varias práticas, como, por exemplo, a de rectificações de informação incorrecta, ou a do rigor das fontes.

 

A reportagem no site da APM e o vídeo da conferência