A preocupação com a qualidade dos “media” não marcou vários órgãos de informação agora em crise aguda. O drama está em que são os jornalistas e demais trabalhadores quem vão pagar, com o seu previsível despedimento, as fantasias dos gestores.

Agrava-se a crise em órgãos de comunicação social. Uma crise que é acentuada por lideranças dos “media” que conduziram alguns deles à falência, ou quase.

 Existem muitos motivos que levam pessoas a adquirirem órgãos de comunicação social. Mas são raros os casos em que os novos donos se preocupam, prioritariamente, com a saúde financeira dos “media” que compram.

Ora essa saúde financeira depende muito da credibilidade informativa do órgão em causa. Conheci de perto o caso do jornal “Público”. Desde a fundação deste jornal, em março de 1990, que o seu proprietário, Belmiro de Azevedo, procurou desligar o jornal das suas vicissitudes empresariais.

Belmiro de Azevedo, inteligente como era, percebeu que a qualidade do seu jornal dependeria em larga medida de um forte grau de independência dos jornalistas do “Público” face aos seus interesses empresariais. Por isso o jornal não foi visto como um porta voz do seu proprietário, mas como um órgão noticioso independente.

Os descendentes de Belmiro seguiram, felizmente, a mesma linha, mantendo o “Público” como um jornal de referência em Portugal.   

Infelizmente não é a isto que assistimos em órgãos de comunicação social, que mais parecem ser um brinquedo para os seus proprietários se divertirem. O divertimento cedo se converteu em crise financeira aguda. O drama está em que são os jornalistas e demais trabalhadores quem vão pagar, com o seu previsível despedimento, as fantasias dos gestores.

 (Jornalista)