A Trust in News (TiN) enfrenta uma grave crise financeira, com salários em atraso, incumprimentos perante a Segurança Social e Autoridade Tributária, e um eventual pedido de liquidação em cima da mesa. 

O administrador de insolvência, André Correia Pais, questionou os credores sobre a possibilidade de encerrar a empresa e avançar com um despedimento colectivo, depois de a TiN ter violado o plano de recuperação ao falhar pagamentos fiscais e contributivos. No entanto, “não há objectivamente qualquer informação que a Comissão de Credores tenha dado indicações ao administrador da insolvência para proceder ao encerramento da empresa”, esclareceu o administrador num e-mail enviado aos colaboradores. 

Embora o plano de recuperação tenha sido aprovado por 77% dos credores em Maio, ainda não foi homologado judicialmente. Segundo Correia Pais, o incumprimento com as obrigações fiscais e contributivas já constitui uma “prova irrefutável […] de que o devedor não cumpriu o plano de insolvência”, podendo justificar medidas legais imediatas. 

O plano, apresentado por Luís Delgado, sócio único da TiN, previa uma injecção de até 1,5 milhões de euros. Contudo, essa promessa não se concretizou e o Sindicato dos Jornalistas já se pronunciou: “Não só não o fez, como não dá mostras de o fazer”, responsabilizando directamente Luís Delgado pela situação da empresa. 

Segundo Luís Simões, presidente do SJ, os salários de Maio apenas foram pagos pela metade e os colaboradores ainda não receberam os pagamentos referentes ao mês de Junho. Estão ainda em falta dois meses de subsídio de alimentação e os subsídios de férias.  

Perante esta situação, os jornalistas estão em greve por tempo indeterminado desde 20 de Junho e muitos já entregaram pré-avisos de suspensão dos contratos. “Títulos emblemáticos deste grupo de comunicação social já estão, ou poderão ficar, nos próximos dias, sem um único jornalista a trabalhar”, alerta o SJ, referindo-se a um “despedimento silencioso”. 

Em comunicado, o sindicato acusa ainda Luís Delgado de se refugiar no processo judicial: “Parece ter o entendimento de que salários dos trabalhadores, impostos do Estado e dívida dos credores não são razões suficientes para proceder à injecção de dinheiro com que se comprometeu”, lê-se no documento. 

A decisão final sobre o fecho da TiN e o despedimento colectivo caberá aos credores, que ainda não se pronunciaram formalmente.

(Créditos da imagem: Trust in News)