… e a insolvência do Grupo TiN vista como “um rombo na pluralidade”
Em entrevista à agência Lusa, o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Luís Simões, considera essencial proteger os 80 postos de trabalho que actualmente garantem as publicações do Grupo Trust in News (TiN), apelando à intervenção do Estado para evitar um "rombo na pluralidade".
Segundo Simões, é necessário “proteger esses postos de trabalho, os títulos e esta memória cocletiva, que não pode desaparecer”.
Em reacção à decisão judicial de encerramento das empresas do grupo, o sindicalista defende que “a culpa não é da juíza que decretou o fim das empresas”, mas sim de quem geriu “de uma forma inacreditável aquelas empresas”, mantendo os trabalhadores “com salários em atraso, subsídios por pagar, condições de trabalho degradadas”. Como resume: “As mais básicas obrigações de uma entidade patronal não foram nunca respeitadas”.
Rejeita o regresso do gestor Luís Delgado, sublinhando que este recusou propostas de compra por considerar os valores baixos, “e a outras nem sequer respondeu”.
Face ao cenário actual, admite a “liquidação controlada” e eventual “venda de títulos, se houver comprador”, alertando para o perigo de concentração no sector e defendendo que o poder político deve intervir: “Não temam a interferência do Estado porque os jornalistas saberão resistir nos momentos em que haverá interferências”.
Destaca ainda a importância de publicações como a Visão, descrevendo-a como “memória” e uma revista “fundamental para entendermos a sociedade e o que nos rodeia”.
Por fim, Simões traça um panorama negativo da profissão em Portugal: “Hoje é muito difícil ser jornalista”, afirmando que o país “anda de crise em crise” e denunciando a “degradação da condição de trabalho dos jornalistas, que tem sido inacreditável”.
(Créditos da imagem: Captura de ecrã do site do Jornal Económico)