O grupo francês Prisma Media, um dos maiores editores de revistas em França, anunciou um plano de reestruturação que prevê a supressão de 261 postos de trabalho, numa das mais significativas vagas de despedimentos no sector nos últimos anos. 

Detentor de títulos como CapitalGéoFemme ActuelleVoici e Télé Loisirs, o grupo controlado pelo empresário Vincent Bolloré pretende reduzir cerca de 40% do seu quadro de pessoal. 

Segundo um documento enviado à agência AFP, “a implementação deste projecto poderá implicar até 279 despedimentos por motivos económicos”, tendo em conta alterações adicionais a 34 postos de trabalho. Actualmente, o grupo conta com cerca de 650 trabalhadores. 

A reacção interna foi imediata. “É uma verdadeira carnificina”, afirmou Emmanuel Vire, delegado sindical da CGT. Também uma representante da CFDT descreveu o momento como “uma paralisação muito brutal”, sublinhando o choque entre os trabalhadores. 

O plano afecta transversalmente a empresa, incluindo cerca de 90 jornalistas, 37 trabalhadores da área de informática e vários outros departamentos. 

A administração justifica a decisão com o declínio simultâneo da imprensa impressa e das receitas digitais. Gérald-Brice Viret, vice-presidente do grupo, explicou que “a Prisma tem de repensar e adaptar o seu modelo” face ao contexto económico e ao domínio das grandes plataformas tecnológicas, que “captam o valor”. 

O objectivo passa por reduzir a empresa para um efectivo entre 400 e 450 trabalhadores. 

Mudanças editoriais e títulos em risco 

Além dos despedimentos, o plano inclui o fim de várias publicações e edições especiais, como Géo HistoireÇa m’intéresse Histoire e Femme Actuelle Jeux. Também a revista Dr Good!, associada ao médico e apresentador Michel Cymes, será descontinuada, tal como a publicação infantil Mini-Loup

Esta é a terceira ronda de despedimentos no grupo em apenas dois anos, desde que passou a integrar o universo empresarial de Bolloré. A reestruturação surge poucos meses após mudanças na liderança editorial, com a nomeação de Serge Nedjar — também ligado ao canal televisivo CNews — e levanta preocupações sobre possíveis interferências editoriais. 

Esses receios levaram jornalistas a criar uma Sociedade de Jornalistas (SDJ), com o objectivo de defender a independência editorial e evitar uma eventual “orientação ideológica” das publicações. 

Processo prolonga-se durante o ano

O plano será discutido ao longo de quatro meses no Comité Social e Económico, com uma primeira reunião já agendada. A implementação deverá estender-se até ao final de 2026. 

A empresa garante que procurará mitigar o impacto social: “Haverá uma fase de voluntariado”, afirmou Viret, acrescentando que serão mobilizados recursos do grupo para facilitar a recolocação dos trabalhadores afectados. 

(Créditos da imagem: Imagem retirada do site do Le Monde - MARTIN BUREAU / AFP)