Plano aprovado para modernização da Lusa e reforço tecnológico
O Governo aprovou um plano de investimento e modernização da agência noticiosa Lusa no valor de cinco milhões de euros, destinado ao reforço tecnológico, digital e operacional da empresa. A medida autoriza ainda a actualização salarial dos trabalhadores.
O plano está estruturado em duas áreas principais. A primeira prevê um investimento de três milhões de euros na modernização tecnológica, incluindo a implementação de um novo sistema editorial, a migração de bases de dados, o reforço dos sistemas de informação, soluções de gestão de recursos humanos e melhorias nas delegações da agência.
Os restantes dois milhões de euros serão aplicados na área dos recursos humanos, permitindo a renovação e o reforço de sectores considerados estratégicos, nomeadamente a rede internacional de correspondentes, as áreas digitais e tecnológicas e as equipas dedicadas à verificação de factos e ao combate à desinformação.
Segundo o Executivo, o plano concretiza a utilização do aumento de capital realizado em 2025, orientando os recursos para a modernização tecnológica, digital e editorial da agência, bem como para o fortalecimento da sua capacidade operacional.
Além da aprovação do investimento, o ministro da Presidência autorizou o Conselho de Administração (CA) da Lusa a proceder à actualização salarial de todos os trabalhadores, de acordo com as regras aplicáveis às empresas do sector empresarial do Estado.
O Governo considera que estas decisões integram um processo mais amplo de reforço da agência desenvolvido ao longo do último ano, surgindo numa fase considerada relevante para a preparação do Plano de Actividades e Orçamento para 2026 e para o processo de negociação salarial.
Novo acordo de empresa não gera consenso
Paralelamente, o Conselho de Administração comunicou aos sindicatos representativos dos trabalhadores a denúncia formal do actual Acordo de Empresa (AE), propondo a negociação de um novo instrumento de regulamentação colectiva.
A decisão foi criticada pelas estruturas sindicais, que acusam a administração de condicionar futuros aumentos salariais à assinatura de um novo acordo, cujo processo negocial poderá prolongar-se durante vários anos devido à sua complexidade.
Segundo os sindicatos, a administração confirmou a aplicação de uma actualização salarial de 56,58 euros mensais em 2026, com efeitos retroactivos a 1 de Janeiro. No entanto, o aumento adicional proposto, que elevaria a actualização para 70 euros mensais, estaria dependente da conclusão das negociações do novo AE.
As organizações representativas dos trabalhadores consideram esta estratégia uma forma de pressão sobre os funcionários, argumentando que o actual acordo poderia manter-se em vigor enquanto decorressem negociações para um novo texto.
Administração defende revisão do acordo
Em resposta, o Conselho de Administração sustenta que o actual Acordo de Empresa se encontra desactualizado. A sua redacção começou em 2006 e entrou em vigor em 2009, justificando, segundo a administração, a necessidade de uma revisão profunda das condições laborais.
Entre as propostas apresentadas aos sindicatos encontra-se um aumento salarial anual de 70 euros, ou de 3,2%, consoante o valor mais favorável para cada trabalhador, durante os próximos quatro anos. O documento prevê igualmente a actualização do subsídio de transporte para um montante equivalente ao valor do passe familiar, actualmente fixado em 80 euros.
(Créditos da imagem: Agência Lusa)