O Sindicato dos Jornalistas (SJ) manifestou preocupação com a intenção do Parlamento Europeu de reduzir significativamente os apoios comunitários destinados ao jornalismo no próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2028-2034, considerando que a medida poderá ter consequências negativas para a democracia e para a sustentabilidade dos meios de comunicação social. 

Em comunicado, o SJ classificou como “prejudicial para a democracia” a proposta em discussão, que prevê um corte substancial nas verbas inicialmente apresentadas pela Comissão Europeia para apoiar o sector da informação. 

Segundo a estrutura sindical, o Parlamento Europeu pretende reduzir para metade os fundos destinados ao jornalismo e limitar a sua aplicação ao sector audiovisual, uma decisão que considera insuficiente para garantir uma comunicação social europeia forte, plural e independente. 

“Cortando para metade as verbas disponíveis, e circunscrevendo-as ao sector audiovisual, o orçamento em discussão no âmbito do Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 não é suficiente para fomentar uma comunicação social europeia forte e independente”, refere a direcção do SJ. 

A organização associa-se, assim, às preocupações já expressas pela Federação Europeia de Jornalistas (FEJ), que tem apelado às instituições europeias para reforçarem o financiamento destinado ao jornalismo de interesse público. 

O sindicato revelou ainda ter enviado, há mais de um mês, cartas aos ministros das Finanças e da Presidência, solicitando uma reunião para discutir a necessidade de a União Europeia disponibilizar verbas significativas para o jornalismo e criar mecanismos de distribuição equitativa desses apoios em Portugal. Até ao momento, segundo o SJ, não foi recebida qualquer resposta. 

Para o presidente do sindicato, Luís Simões, o silêncio do Governo constitui um sinal preocupante: “É preocupante este sinal de desinteresse do Governo na sustentabilidade do jornalismo português, ignorando que uma democracia saudável e justa precisa de comunicação social forte e independente”, afirmou o dirigente sindical, citado na nota.