O mais recente relatório da International Fact-Checking Network (IFCN), sediada no Instituto Poynter, mostra um crescimento significativo nas candidaturas ao “Código de Princípios” da organização e destaca a resiliência das equipas de verificação de factos, apesar de enfrentarem ameaças legais, assédio online e restrições orçamentais.  

Em 2024, a IFCN analisou 226 candidaturas e certificou 116 organizações, elevando o número total de organizações de verificação de factos acreditadas para 182, espalhados por 57 países. “Cada uma comprometida com o apartidarismo, financiamento transparente, fontes claras, uma metodologia pública e uma política de correcções aberta. Introduzidas pela primeira vez em 2016, estas normas tornaram-se a referência mundial para a verificação profissional de factos”, explica o Instituto Poynter. 

Para lidar com a subida de candidaturas, a IFCN reformulou todo o seu processo interno: o tempo médio de análise caiu de 10 para 6 meses, graças a uma nova plataforma online, reforço na formação de avaliadores e reestruturação do seu website

Além disso, a rede alargou a sua estrutura de governação. O conselho consultivo passou a incluir oito líderes regionais e grupos de trabalho dedicados a temas como sustentabilidade financeira, resposta ao assédio e envolvimento das comunidades. Foi ainda introduzido um novo sistema de reclamações, mais robusto, que “filtra as submissões frívolas, encaminha preocupações credíveis directamente aos avaliadores e ajuda a proteger os verificadores de factos do assédio coordenado”. 

Desde 2023, o Fundo Global de Verificação de Factos, com um orçamento total de 12 milhões de dólares, já atribuiu quase 6 milhões a 134 organizações em 67 países. Estes apoios permitiram a contratação de colaboradores, melhorias na segurança digital e física, e o alargamento do alcance das iniciativas de verificação. 

O relatório destaca que este investimento não só garante a sustentabilidade como também reforça os padrões exigidos: “O fundo reforça os padrões do Código e mostra que vale a pena investir na verificação de factos”. 

Apesar das dificuldades, a IFCN planeia uma revisão completa do Código de Princípios entre 2025 e 2026, com o objectivo de o adaptar a novas realidades. Esta actualização terá em conta fenómenos como a IA generativa, a verificação de factos colaborativa e o estreitamento do espaço cívico. 

Além disso, está a ser desenvolvido um curso online personalizado para orientar os candidatos na preparação para a certificação, e uma nova ferramenta de automação que pretende melhorar o acompanhamento das candidaturas. 

O relatório pode ser lido na íntegra através deste link

(Créditos da imagem: Freepik)