“A Google está a posicionar-se em todos os níveis da cadeia de valor da televisão conectada. Uma hegemonia que preocupa tanto os canais de televisão como os operadores de telecomunicações”, começa por referir um artigo do Le Figaro

De acordo com um relatório da empresa Nielsen, nos Estados Unidos os serviços de streaming de vídeo tornaram-se o modo de consumo dominante nos televisores em Maio, ultrapassando o total combinado dos canais de televisão tradicionais e do cabo. Com o YouTube a liderar o consumo televisivo de entretenimento nos EUA — com 12,5% da audiência total, à frente da Netflix e dos canais da Disney —, a Google reforça o seu domínio também através da Google TV, sistema operativo presente em televisões de marcas como Sony, TCL e Philips

"Graças ao seu sistema operativo, a Google pode encorajar, para não dizer ‘forçar’, o YouTube nos ecrãs. Pode também controlar a apresentação dos programas e a sua promoção", explica um responsável de um grupo francês de radiodifusão. 

A Google capitaliza a ligação entre os dados dos utilizadores e a televisão para oferecer conteúdos “altamente personalizados”. O mesmo vale para a publicidade, que pode assim ser mais personalizada e segmentada. “A publicidade digital estará no centro da cadeia de valor da televisão no futuro”, lê-se no artigo. 

Actualmente, a publicidade é apresentada sob a forma de banners no ecrã inicial ou através de vídeos associados aos conteúdos que a empresa americana oferece. Mas, até ao final da década, a publicidade deverá começar a aparecer no ecrã quando os telespectadores estiverem a assistir a um programa. 

Desequilíbrios e falta de regulação 

A crescente hegemonia da Google preocupa os operadores de telecomunicações e os canais tradicionais. “O sector da televisão utiliza as soluções da Google e beneficia do seu valor acrescentado. Mas também está sob o seu jugo”, observa um dos entrevistados. 

Romain Bonenfant, da Federação Francesa das Telecomunicações (FFT), critica a assimetria: “A questão da sustentabilidade do modelo histórico, baseado na aliança entre os organismos de radiodifusão e as telecomunicações, foi levantada.” 

Alguns operadores apelam à “igualdade de condições” e denunciam o tratamento privilegiado que a Google recebe, sem estar sujeita a uma “bateria de regulamentos e impostos”. 

Enquanto algumas operadoras como a Bouygues Telecom e a SFR integram o sistema da Google nos seus descodificadores, outras, como a Orange e a Free, resistem. No entanto, a pressão do mercado é clara, à medida que os jovens preferem aceder a conteúdos directamente pela Internet, ignorando os tradicionais pacotes de televisão.

(Créditos da imagem: Unsplash)