“Baltimore Beat” testa modelo de “anúncios de pagamento livre”…
O jornal e site noticioso sem fins lucrativos Baltimore Beat lançou uma nova experiência no financiamento do seu projecto editorial: um modelo de anúncios baseado no chamado pagamento livre, no qual os anunciantes escolhem quanto querem pagar dentro de valores sugeridos.
Segundo o jornal, a iniciativa pretende reforçar a ligação com o comércio local e criar uma alternativa aos modelos dominados pelas grandes plataformas digitais. “Esperamos que esta seja uma forma de as pequenas empresas se destacarem no jornal, mantendo os seus serviços na mente dos leitores”, escreveu o Beat num comunicado.
O Baltimore Beat surgiu após o encerramento, em 2017, do semanário alternativo da cidade. Em 2022, o projecto foi relançado como um meio de comunicação liderado por pessoas negras. Ao contrário de outros órgãos de comunicação locais, o jornal não utiliza um sistema de subscrição paga.
Actualmente, a organização sem fins lucrativos distribui 20 mil exemplares impressos gratuitos duas vezes por mês e financia-se através de doações, publicidade e outras fontes de receita.
Durante décadas, muitos jornais dependiam fortemente dos anúncios classificados e da publicidade local. No entanto, com o crescimento da internet, grande parte desse mercado foi absorvida por plataformas digitais.
Sites como o Craigslist começaram a dominar os classificados há cerca de duas décadas, enquanto gigantes tecnológicos como a Google e o Facebook passaram a captar grande parte dos orçamentos publicitários locais. Apesar disso, o Beat acredita que o contexto digital está a mudar e que algumas pequenas empresas podem estar dispostas a experimentar novos canais de promoção.
A editora-chefe Lisa Snowden recorda que a transformação digital alterou profundamente o modelo de negócio da imprensa: “No passado, os veículos de notícias ganhavam dinheiro com anúncios classificados e outros tipos de publicidade. A internet e as redes sociais tornaram isso irrelevante. Muitos empresários decidiram que podiam usar o Facebook, o Twitter ou o Instagram para fazer a sua própria publicidade”, escreveu no LinkedIn.
A aposta no jornalismo hiperlocal
Para Snowden, o momento pode ser oportuno para recuperar algumas formas tradicionais de publicidade, adaptadas à realidade actual do jornalismo local. “Acho que agora é a altura de repensar os anúncios [classificados], especialmente quando se trata de jornalismo hiperlocal”, afirmou.
A editora defende ainda que muitos utilizadores estão cada vez mais insatisfeitos com os resultados de pesquisa e com a forma como os algoritmos determinam o que aparece nas plataformas digitais. “Hoje em dia é muito mais difícil utilizar o Google para encontrar informações fiáveis e os algoritmos, que estão fora do seu controlo, fazem com que muitas pessoas nem sequer vejam o conteúdo oferecido pelas pequenas empresas”, acrescentou.
Segundo Snowden, esta realidade pode incentivar consumidores a procurar alternativas e a privilegiar negócios locais.
No novo modelo de publicidade, o Baltimore Beat sugere diferentes valores consoante o tipo de anunciante. Pequenas lojas familiares podem pagar 50 dólares por anúncio, enquanto estabelecimentos físicos são convidados a contribuir com 150 dólares. Para empresas ou investidores de maior dimensão, o valor sugerido sobe para 300 dólares.
Com esta iniciativa, o jornal pretende simultaneamente apoiar o comércio local e reforçar a sustentabilidade financeira de um projecto de jornalismo comunitário.
(Créditos da imagem: Baltimore Beat)