O Reuters Institute publicou o seu mais recente Digital News Report, o estudo mais completo sobre o consumo de notícias digitais a nível mundial. A edição de 2025 cobre 48 países e baseia-se em inquéritos realizados a quase 100 mil pessoas. 

O The Fix destacou três descobertas particularmente relevantes: 

Chatbots de IA afirmam-se como fonte de notícias 

Os assistentes baseados em inteligência artificial, como o ChatGPT, estão a tornar-se cada vez mais utilizados como fontes de informação noticiosa, especialmente entre os mais jovens. “Verificamos que os chatbots e as interfaces de IA estão a emergir como fonte de notícias, à medida que os motores de busca e outras plataformas integram notícias em tempo real”, referem os autores do relatório. 

Embora apenas 7% dos inquiridos digam recorrer semanalmente a estas ferramentas para se informarem, o número sobe para 15% entre os menores de 25 anos. 

A tendência poderá transformar-se num desafio para os editores, à medida que o tráfego de pesquisa tradicional diminui. Como assinala o relatório, é tempo de estes profissionais pensarem na sua “estratégia de SEO do ChatGPT", adaptando os conteúdos para os modelos de linguagem artificial. 

O interesse (ainda que limitado) dos consumidores em funcionalidades de IA 

O estudo analisou também o interesse dos utilizadores em funcionalidades de IA que personalizam a experiência noticiosa, como páginas iniciais adaptadas, resumos automáticos ou tradução de artigos. Verificou-se algum interesse, mas não é massivo. 

“27% dos inquiridos demonstraram interesse em resumos gerados por IA, enquanto cerca de 15% gostariam de funcionalidades de conversão de texto para áudio ou vídeo.” 

Ainda assim, os autores alertam para os limites destes dados: “Um inquérito sociológico não nos pode dizer muito sobre a apetência dos consumidores por funcionalidades que muitas pessoas nunca experimentaram - é difícil exprimir entusiasmo por algo que não se consegue visualizar completamente”. 

Portanto, à medida que a experiência com estas ferramentas for sendo generalizada, a procura pode aumentar. 

Alertas móveis e newsletters criam ligação com os leitores 

As notificações móveis e as newsletters por email continuam a ser ferramentas eficazes para manter contacto directo com os leitores. Cerca de 21% dos inquiridos utilizam regularmente os alertas móveis como porta de entrada para as notícias, uma percentagem inferior à da pesquisa (45%) e das redes sociais (43%), mas superior ao email (15%). 

Meios como a BBC chegam diariamente a milhões de utilizadores com este tipo de alertas, o que demonstra o seu impacto. Mas o relatório salienta que esta relação directa não é tão independente quanto parece: “As empresas por detrás dos sistemas operativos móveis, como o iOS e o Android, começaram a resumir e a dar prioridade às notificações, muitas vezes recorrendo à IA, o que ameaça reduzir a ligação directa entre os editores de notícias e o público.” 

(Créditos da imagem: Reuters Institute)