O plano de insolvência da Trust in News (TiN) foi aprovado por 77% dos credores, com 23% a votar contra, segundo um despacho a que a Lusa teve acesso. 

Em declarações à agência, o administrador da TiN, Luís Delgado, considerou que a maioria substancial dos credores acreditou no plano e que “isso foi um grande passo”. A maioria “dos credores aprovou o regresso da gerência anterior com supervisão do administrador de insolvência”, acrescentou. 

Segundo o despacho, na assembleia foram atribuídos votos no total de 32.227.923,51 euros, tendo votado credores com um valor total de cerca de 28,8 milhões de euros, dos quais 77% se mostraram favoráveis ao plano. 

Recordamos que o plano inclui um compromisso de injecção de até 1,5 milhões de euros por parte do accionista único, Luís Delgado, feito “faseadamente e em função das necessidades da empresa para reforçar a tesouraria”. 

Está prevista a suspensão, venda ou licenciamento de várias publicações deficitárias, como TV Mais, Caras Decoração e Visão Saúde. De acordo com o plano, “com excepção da Telenovelas, todas as outras publicações já estão suspensas”. Inclui-se também a redução de 70% do espaço físico (50% já concretizado), encerramento da delegação no Porto e ajuste na periodicidade das revistas. 

Quanto ao pagamento das dívidas, a proposta prevê pagamentos faseados, com prazos de 12 a 15 anos para credores comuns e garantidos e 150 prestações para a AT e a Segurança Social. Parte das dívidas poderá ainda ser paga com permuta de publicidade. 

Para aumentar receitas, está previsto o “aumento de assinaturas digitais”, o licenciamento de marcas, a aposta em podcasts, vídeos e uma melhoria da plataforma de e-commerce, além de parcerias estratégicas. 

A empresa espera assim uma “melhoria gradual da rentabilidade” e um “retorno a resultados positivos a médio prazo”, evitando a liquidação da empresa e “preservando postos de trabalho e activos”. 

Será também criada uma equipa com directores editoriais, comercial, financeiro e de recursos humanos, com o objectivo de rever custos e contratos e propor novas medidas para aumentar receitas. As recomendações “serão implementadas após aprovação da gerência e do administrador da insolvência”.

(Créditos da imagem: Trust in News)