O The Fix dá a conhecer o Spatz, um projecto suíço que está a combater o deserto noticioso nas pequenas aldeias através de inteligência artificial. Como explicou Hannes Grassegger, fundador da iniciativa, trata-se de uma “ferramenta ultra-hiperlocal” que recolhe automaticamente dados públicos locais — como eventos de escolas, clubes ou igrejas — e transforma-os num boletim informativo semanal enviado por e-mail ou WhatsApp

O sistema combina “informação pública e fontes de dados abertos”, sendo depois supervisionado por um moderador local que garante a veracidade e relevância do conteúdo. Como diz Grassegger, o Spatz não produz reportagens: “Somos uma rede social ultralenta com moderação de conteúdos localizada de acordo com os padrões jornalísticos.” 

O projecto nasceu de uma necessidade concreta: “Havia uma pessoa que estava a escrever o único jornal local para um sítio perto de Zoug (...). Criámos para ele um chatbot que lia todos os sites locais e lhe dava um feed de notícias.” 

O sucesso é evidente: na região de Alttoggenburg, o boletim tornou-se “o principal veículo local na primeira tentativa”, atingindo cerca de 10% da população (1200 por e-mail e 560 via WhatsApp). 

Para Grassegger, a motivação é clara: “É muito mais fácil saber como está Trump do que compreender o que se passa à minha porta.” E critica a ausência de media locais verdadeiramente independentes: “O editor-chefe é o presidente da câmara.” 

O Spatz já despertou interesse internacional: “Fomos também contactados por alguém no Luxemburgo” e estão em conversações com pessoas nos EUA. A escalabilidade é clara: “Pode ser implementado em qualquer lugar, pois é o mesmo sistema.” 

Em termos de sustentabilidade, o projecto está agora a testar formas de monetização, apostando em publicidade local: “As pessoas gostam de fazer anúncios hiperlocais, e é muito difícil para elas fazê-lo no mundo digital.”

(Créditos da imagem: Captura de ecrã retirada do site do The Fix)