O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou “intolerável e inaceitável” a abordagem a Tomás Guerreiro, jornalista da revista Sábado, por elementos da segurança da Assembleia da República (AR), descrevendo o incidente como um “atentado à liberdade de imprensa”. 

O episódio ocorreu no dia 20 de Janeiro, quando o jornalista interpelava deputados do PSD sobre o sentido de voto na segunda volta das eleições presidenciais. Durante a abordagem, Tomás Guerreiro foi “instado a identificar-se e impedido de prosseguir com o trabalho que estava a fazer no parlamento”. 

O SJ criticou a justificação dada pela Secretaria da AR, segundo a qual os serviços de segurança foram accionados para proteger a “segurança de pessoas e bens”, considerando a explicação “no mínimo, tão ofensiva como a actuação das forças de segurança”. O sindicato sublinha que a coação e a exibição de autoridade não podem ser usadas para limitar os direitos dos jornalistas, que estão “consagrados nas Leis produzidas dentro das paredes da Assembleia”. 

O comunicado do SJ alerta ainda para o risco de um clima institucional em que “os eleitos do povo olham para os jornalistas como uma ameaça”, simplesmente pelo facto de possuírem uma caneta e um bloco de notas, e afirma que esta situação merece “profunda reflexão”. 

O sindicato defende que os serviços de segurança da AR devem garantir a protecção de todos os que trabalham ou visitam a casa do povo, devidamente autorizados, e não servir para impedir o escrutínio público ou responder a queixas de deputados que pretendam evitar a cobertura mediática.