Jornalista detido na Somália por defender a liberdade de expressão
As autoridades da Somália impuseram condições de fiança restritas a Abdalle Mumin, co-fundador do Somali Journalists Syndicate e colaborador do Guardian.
Munin foi preso em Outubro, após os protestos da imprensa contra as diretrizes anunciadas pelo Ministério de Informação, que puseram em risco os profissionais que estavam incumbidos da cobertura da ofensiva contra militantes islâmicos.
O colaborador da Guardian foi detido, no total, durante treze dias, antes de ser libertado sob fiança, estando, neste momento, impedido de trabalhar e/ou deixar o país.
O jornalista revelou que além de estar “preso” na Somália, com o seu passaporte confiscado e na lista de “pessoas proibidas”, Munin está, também, refém do seu próprio hotel, uma vez que “enfrenta sérias ameaças de extremistas islâmicos e do Governo”.
Estas condições impossibilitam a procura de assistência médica, apesar do suspeito “problema renal [de Munin] agravado pelas más condições da sua detenção, realizada pelos serviços de inteligência e pela polícia, no início do ano”.
Esta já não foi a primeira vez que Munin foi ameaçado e detido na Somália, tendo sido, em 2015, forçado a fugir do país, quando fez uma reportagem para o Wall Street Journal.
A liberdade de expressão tem sido uma das principais vítimas do longo conflito armado na Somália.
Novembro 22
O Governo britânico e a Humans Rights Watch insistiram que o governo da Somália tomasse a iniciativa para acabar com “o assédio e as detenções sem fundamento dos jornalistas”, uma vez que a “liberdade de expressão é a base de todos os direitos humanos”.
Laetitia Bader, directora do grupo Horn of Africa, sublinhou que o Governo deve “parar de restringir a cobertura de notícias legítimas e a liberdade de expressão”.
Munin já foi contactado pelas autoridades para realizar um acordo que permita a sua saída do país, livre de quaisquer acusações, na condição de estar disposto a não fazer mais críticas ao governo.
O colaborador do Guardian recusou o acordo, argumentando que “se a Somália quer ser uma democracia pacífica e segura, precisa, primeiro, de ser um país seguro para os jornalistas”.
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