Ex-jornalista do “Público” distinguida com Prémio Agustina Bessa-Luís
A jornalista e escritora Catarina Gomes venceu, por unanimidade, o Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís 2021, no valor pecuniário de 10 mil euros, graças ao romance “Terrinhas”.
Este prémio garante, ainda, a publicação do livro, graças a uma parceria com a editora Gradiva.
Sobre “Terrinhas”, o júri, ao qual presidiu o ex-ministro Guilherme d'Oliveira Martins, considerou tratar-se de “um romance que, a partir do ponto de vista de uma mulher tipicamente citadina, coloca em confronto o mundo rural e o mundo urbano”.
“A memória dos pais, que, quase religiosamente, vão à terra para trazer batatas, as quais invadem a cozinha e o imaginário da narradora, fornece a visão irónica e, por vezes, mesmo hilariante, com que esta avalia a infância e enfrenta dores e dramas da idade adulta. A alegria e a comovente ternura na avaliação da vida e da morte, associadas a uma escrita fluida e elegante, dão a este romance um indiscutível alcance literário, que importa valorizar e divulgar”, realçou o júri.A autora do livro, Catarina Gomes, nasceu em Lisboa, em 1975, tendo recebido o Prémio Gazeta (multimédia) e o Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha em 2016, pela reportagem “Quem é o filho que António deixou na Guerra”, publicada em 2015.
Dezembro 21
Num comunicado enviado à imprensa, aquela profissional, que foi, durante 20 anos, jornalista do “Público” e onde continua a publicar algumas das suas reportagens, explicou: “A ideia para o romance ‘Terrinhas’ nasce de uma herança verdadeira. Há uns anos, vieram parar-me às mãos um conjunto de terras numa aldeia do norte de Portugal que, para mim, eram apenas nomes estranhos.”
“Nunca as tinha pisado e nem sabia o que fazer para lá ir dar. Eram terras que me chegavam de um tempo em que a terra era tudo, mas que agora pouco valiam, eram terras como as que aparecem nos noticiários de verão sobre incêndios, de quem já ninguém cuida e que acabam por arder sozinhas”.
Na mesma nota, Catarina Gomes revelou que “escrever um romance era um sonho tão antigo que quase não tem idade”.
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