Canal “Conta Lá”, de Sérgio Figueiredo, fechou ou o desastre anunciado…
No dia 1 de Novembro, o canal Conta Lá deixou de emitir. Três dias antes, a 28 de Outubro, a produtora Coral pediu a insolvência da Conta Lá – Conteúdos Audiovisuais no Juízo de Comércio de Lisboa.
O projecto foi lançado por Sérgio Figueiredo, antigo director de informação da TVI. A estrutura accionista juntava Figueiredo, Maurício Ribeiro (produtor e fundador da MauMauMia) e os empresários Luís Santos e Luís Fernandes, donos da holding New Anderthal. Maurício Ribeiro ocupa o cargo de director de operações desde Fevereiro de 2025. A maioria do capital, 67,3%, está nas mãos da Baú D’Iniciativas, controlada por Maurício Valente Ribeiro.
O Conta Lá previa três canais regionais generalistas de cobertura nacional (Norte, Centro e Sul), a que se juntou o Conta Lá Rural, num projecto que o seu fundador descrevia como a conjugação de televisão, digital e eventos.
Saída do fundador e comissão de gestão
A 15 de Julho de 2026, Sérgio Figueiredo anunciou a saída da liderança executiva e a convocação de uma assembleia-geral de accionistas para aprovar um plano de reestruturação. Desde então, o canal acumulou dificuldades: desde julho, somavam-se nove processos em tribunal, sete deles entrados depois da saída de Figueiredo, com mais de 530 mil euros em jogo.
Maurício Valente Ribeiro, principal accionista e administrador do canal, recorreu ao LinkedIn para comentar a situação. Explicou que o canal se focou, desde o início, em “vectores geográficos, económicos e sociais que, sendo essenciais para o desenvolvimento do país – e das pessoas – têm pouco espaço no mercado de media actual”.
“A dura realidade é que o capital reunido para o lançamento do Conta Lá veio a revelar-se insuficiente para a sua sustentabilidade e crescimento. Os custos cresceram a uma velocidade superior à da angariação de receitas. Mais do que um problema económico, de médio e longo prazo, enfrentámos constrangimentos financeiros de curto prazo”, escreveu.
Ribeiro revelou ainda que a nova Comissão de Gestão, eleita em Agosto pela Assembleia de Accionistas, nunca chegou a tomar posse “por considerar não terem sido reunidas as condições mínimas para o fazer”. Em causa estava uma injecção de capital de cerca de 2 milhões de euros por parte dos accionistas, que “permitisse gerir dívidas e relançar o projecto, enquanto se negociava a entrada de novo capital”. O administrador lamenta não ter sido possível reunir esse montante sem antes garantir que novos accionistas entrariam para partilhar o esforço de reerguer o projecto.
“Assim se tornou ainda mais difícil negociar novo capital de investimento; desde logo porque apertaram os prazos, mas também porque se inverteram as condições de investimento. Pese o esforço e o interesse de um grupo reduzido de accionistas, e de um conjunto de pessoas que até ao último dia se envolveu na tentativa de relançar o projecto; e apesar das muitas negociações entretanto encetadas, quer entre accionistas, quer nos mercados nacional e internacional, não foi possível manter o Conta Lá no ar”, concluiu.
Vários processos de insolvência
A Coral já tinha avançado a 18 de Agosto com um processo. Juntaram-se-lhe os da sociedade de advogados Vieira Grilo e Silva, da unipessoal Mentes de Contacto, Produções Multimédia, de Isabel Maria dos Santos Osório, da Vozes e Memórias, da Magnelusa e de Teresa Gonçalves, directora financeira do Grupo Impresa. A estes soma-se o pedido de um grupo de trabalhadores, que recorreram à insolvência do canal numa tentativa de aceder ao fundo de garantia salarial.
(Créditos da imagem: Conta Lá)