Mais de metade dos jornalistas portugueses tem sintomas de burnout
Mais de metade dos jornalistas portugueses apresenta pelo menos quatro sintomas de burnout, segundo um estudo do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (Labpats). Os autores do relatório consideram que este desgaste profissional "já não pode ser tratado como um problema exclusivamente individual", exigindo respostas organizacionais.
O estudo, que ouviu 750 jornalistas, traça um retrato preocupante da saúde mental da profissão. Do total de inquiridos, 46,3% afirmam ter-se sentido fisicamente exaustos nas últimas quatro semanas, e 45,6% dizem o mesmo em relação ao desgaste emocional. No conjunto dos sintomas de burnout avaliados, 52,9% dos participantes apresenta pelo menos quatro.
Menos de um terço dos jornalistas diz sentir-se alegre e bem-disposto durante a maior parte ou a totalidade do tempo, e apenas 15,9% afirma acordar a sentir-se "fresco e descansado".
O relatório identifica ainda problemas de solidão e isolamento entre os profissionais: 13,8% dizem sentir-se frequentemente ou sempre isolados dos outros, e 12,7% sentem-se sozinhos. Mais grave, 12,9% dos inquiridos afirma ser alvo de ameaças ou outras formas de abuso físico ou psicológico, incluindo insultos, assédio sexual ou exclusão.
Perante estes dados, os peritos do Labpats defendem que "estes dados exigem respostas organizacionais claras, preventivas e com canais seguros de sinalização".
A organização do trabalho surge como uma das áreas mais críticas identificadas pelo estudo. Em termos de condições laborais, mais de um em cada três jornalistas (36,1%) não tem estabilidade contratual.
O teletrabalho surge como uma das dimensões mais valorizadas pelos profissionais. Mais de metade considera ter condições para trabalhar à distância e, entre estes, 62,7% dizem ter acesso aos meios necessários, 68,1% consideram que conseguem realizar melhor a sua actividade em regime de teletrabalho e 67,9% afirmam gerir melhor o seu horário desta forma.
As sugestões dos próprios jornalistas confirmam esta tendência: teletrabalho, regimes híbridos, horários flexíveis, melhor gestão de folgas, redução da carga horária e a semana de quatro dias são apontados como propostas para melhorar a conciliação entre vida profissional e pessoal, reduzir o desgaste e elevar a qualidade do trabalho. Para muitos profissionais, a flexibilidade é uma condição para continuar a exercer a profissão.
Apesar de algum desagrado com certos aspetos da profissão, 66,4% dos jornalistas voltaria a escolher este caminho profissional.
(Créditos da imagem: Magnific)