O jornal espanhol El País atingiu 442 mil assinantes digitais no final de 2025, um resultado em conformidade com a trajectória de crescimento iniciada há seis anos, quando implementou o seu primeiro modelo de subscrição paga. A estratégia permitiu transformar um título que enfrentava dificuldades financeiras numa operação novamente rentável, segundo revelou Joseph Oughourlian, presidente do Grupo Prisa.  

No Congresso Mundial de Meios de Comunicação Social da WAN-IFRA, Oughourlian afirmou que a situação do jornal era preocupante quando assumiu a liderança do grupo, em 2021. Embora os activos de rádio apresentassem resultados positivos, o principal diário espanhol atravessava dificuldades económicas.  

Desde então, o El País passou de zero assinantes digitais para 442 092 subscritores, número que inclui leitores da edição impressa com acesso digital activado. Paralelamente, o jornal construiu uma base de 12 milhões de utilizadores registados.  

“Recuperámos a rentabilidade perdida e o El País agora dá lucro”, afirmou Oughourlian. O objectivo passa agora por acelerar o crescimento internacional da marca.  

De acordo com dados da Similarweb, o El País registou 112,7 milhões de visitas em Maio de 2025, posicionando-se entre os maiores sites noticiosos do mundo. No conjunto da Prisa Media, que inclui também marcas como AS, Cinco Días, HuffPost Espanha e várias rádios em Espanha e na América Latina, a audiência mensal ascende a 145 milhões de utilizadores únicos.  

Meta de 800 mil assinantes até 2029  

A administração definiu como objectivo atingir os 800 mil assinantes digitais até 2029. O plano estratégico prevê igualmente aumentar o EBITDA de 58 milhões para 74 milhões de euros e elevar as receitas anuais de 438 milhões para 520 milhões de euros no mesmo período.  

Oughourlian considera que várias marcas do grupo continuam “subdesenvolvidas” e com elevado potencial de crescimento, classificando as projecções como conservadoras.  

América Latina concentra metade da audiência  

A expansão na América Latina surge como a principal aposta para os próximos anos. Actualmente, cerca de metade da audiência do El País provém da região, mas apenas 10% dos assinantes digitais estão localizados nesses mercados.  

Segundo o presidente da Prisa, a estratégia dos últimos anos passou por consolidar a notoriedade e a confiança da marca junto dos leitores latino-americanos antes de intensificar os esforços de conversão para assinaturas pagas.  

Apesar dos desafios associados à menor tradição de pagamento por notícias digitais em vários países da região, Oughourlian acredita existir margem para crescimento. Como exemplo, apontou a forte adesão a plataformas de entretenimento por subscrição, como a Netflix, demonstrando que os consumidores estão dispostos a pagar por conteúdos considerados valiosos.  

Preço das assinaturas e diversificação das receitas  

O El País cobra actualmente 12 euros por mês pela sua assinatura digital básica em Espanha, valor que o presidente da empresa considera inferior ao potencial da marca. Na sua opinião, o preço deveria aproximar-se do praticado por plataformas de streaming líderes de mercado.  

Além do crescimento das assinaturas, a Prisa Media pretende reforçar receitas através da publicidade digital, do desenvolvimento de produtos de áudio e vídeo, de eventos presenciais e da expansão para áreas como desporto, música e lifestyle.  

Apesar do crescimento da presença no YouTube, onde o grupo acumula cerca de 13 milhões de seguidores, o responsável mostrou-se cauteloso quanto ao retorno financeiro gerado pelas plataformas digitais de vídeo, defendendo que o principal benefício continua a ser o fortalecimento da notoriedade das marcas.  

Para o presidente da Prisa, o desafio passa agora por transformar o reconhecimento global do El País em receitas proporcionais ao valor da marca.

(Créditos da imagem: Escuela de Periodismo UAM-EL PAÍS)