O consórcio Media Innovation Europe (MIE) anunciou o lançamento da sua terceira edição, reforçando o compromisso de apoiar a inovação, a sustentabilidade e a independência dos meios de comunicação social europeus.  

Desde a sua criação, em 2022, o programa já distribuiu mais de 1,2 milhões de euros em bolsas a mais de uma centena de organizações de comunicação social independentes em toda a Europa. Além do apoio financeiro, a iniciativa disponibilizou consultoria especializada, programas de formação, redes de colaboração e ferramentas de desenvolvimento empresarial destinadas a fortalecer a resiliência dos projectos jornalísticos.  

Liderado pelo International Press Institute (IPI), o consórcio reúne ainda a Thomson Media, a Balkan Investigative Reporting Network (BIRN) e a The Fix Foundation.  

O programa trabalha com meios de comunicação locais, startups de jornalismo, criadores de conteúdos noticiosos e organizações mediáticas em transformação, com especial enfoque em mercados onde a liberdade de imprensa enfrenta maiores pressões.  

Segundo os responsáveis pelo projecto, a inovação tornou-se uma ferramenta essencial para enfrentar mudanças nos hábitos de consumo de informação, encontrar novas fontes de receita e responder a ameaças políticas que afectam a independência editorial.  

Para Ryan Powell, responsável de inovação e desenvolvimento de negócio do IPI, a colaboração entre organizações tem sido um dos principais factores de sucesso da iniciativa. “A cada ano, o valor da colaboração no apoio aos media independentes torna-se mais claro”, afirma. “Em quatro anos, a Media Innovation Europe construiu uma comunidade de prática que reflecte esta visão partilhada e esperançosa para os media independentes na Europa.”  

Nova edição reforça financiamento e acompanhamento  

A terceira edição do programa prevê o reforço do apoio financeiro às organizações participantes, um acompanhamento mais aprofundado por especialistas e a expansão da rede de antigos participantes.  

O consórcio pretende igualmente melhorar os mecanismos de avaliação de impacto, através de indicadores adaptados à diversidade dos mercados mediáticos europeus.  

De acordo com os promotores, uma das principais conclusões retiradas dos primeiros quatro anos do programa é que os meios de comunicação mais resilientes combinam capacidade de adaptação, foco estratégico e espaço para a criatividade na gestão dos seus projectos.  

Programas para startups e media consolidados  

A nova edição inclui várias iniciativas dirigidas a diferentes fases de desenvolvimento das organizações de comunicação social.  

Entre elas destacam-se a Aceleradora de Transição, destinada a meios de comunicação consolidados que procuram reinventar modelos de receita, tecnologia e relacionamento com audiências, e a Incubadora de Novos Media, orientada para projectos emergentes e redacções em fase inicial.  

O programa contempla ainda festivais de inovação, hackathons, bolsas para projectos de envolvimento de audiências, programas de validação digital, apoio ao desenvolvimento de negócios e iniciativas de mentoria entre profissionais do sector.  

Segundo o MIE, o crescente número de candidaturas e pedidos de apoio recebidos nos últimos anos demonstra não apenas a pressão que o sector enfrenta, mas também a crescente disposição das organizações jornalísticas europeias para integrar a inovação como parte central da sua estratégia de desenvolvimento. 

(Créditos da imagem: IPI)