RTP volta a registar prejuízos 15 anos depois
A RTP registou prejuízos em 2025, interrompendo um ciclo de 15 anos consecutivos de resultados líquidos positivos. A informação consta do mais recente relatório de contas divulgado.
“Infelizmente, depois de 15 anos a anunciar resultados positivos, a RTP vai registar em 2025 um prejuízo de 3,9 milhões de euros”, refere o Conselho de Administração liderado por Nicolau Santos, numa mensagem incluída no documento sob o título “Um ano de grandes mudanças”.
Segundo a administração, o resultado negativo resulta sobretudo de dois factores: a estagnação das receitas desde 2016 e o aumento generalizado dos custos operacionais ao longo dos últimos anos. A empresa sublinha que a pressão inflacionista recente agravou significativamente os encargos, tornando inevitável a entrada no vermelho apesar das medidas de contenção implementadas.
“A subida acentuada dos encargos nos últimos três anos, devido ao aumento dos preços, conduziu inevitavelmente a que as contas entrassem no vermelho”, refere o relatório, acrescentando que a RTP reduziu fortemente a sua estrutura para tentar mitigar o impacto financeiro.
A administradora financeira da RTP, Sónia Alegre, já tinha antecipado em Janeiro que o Grupo terminaria 2025 com resultados negativos de 3,9 milhões de euros. A responsável indicou ainda que 2026 deverá apresentar uma melhoria, embora exista a expectativa de novo agravamento em 2027. Em 2024, a RTP tinha fechado com lucros de 341 mil euros.
No plano das receitas, a Contribuição para o Audiovisual (CAV) ascendeu a 195,7 milhões de euros em 2025, representando um crescimento homólogo de 1,2%. Segundo a RTP, o aumento ficou a dever-se exclusivamente ao crescimento do número de subscritores abrangidos pela taxa cobrada através da factura da electricidade.
O EBITDA da empresa (ou seja, o resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) caiu 42,3% face ao ano anterior, fixando-se nos 7,35 milhões de euros. A RTP ressalva, contudo, que o critério de cálculo deste indicador foi revisto em relação à metodologia utilizada em 2024.
(Créditos da imagem: RTP)