Segundo o  relatório mais recente do Observatório Europeu do Audiovisual, o sector audiovisual europeu gerou cerca de 124 mil milhões de euros em 2024. Os gastos dos consumidores, incluindo assinaturas de plataformas de streaming, serviços de pay-TV, bilhetes de cinema e home video significaram cerca de metade deste valor, ou seja 72 mil milhões de euros.

Apesar destes números e do crescimento do sector, a Europa representa apenas 12% das receitas das maiores produtoras internacionais.

O volume de produção na Europa atingiu nesse ano um novo recorde, com 2523 filmes de ficção e documentários produzidos em 36 mercados, verificando-se um aumento dos orçamentos de produção na maior parte dos países.

Analisando o comportamento dos públicos, verifica-se que a maioria das audiências europeias prefere séries a filmes - o relatório indica  que 78% preferem séries, o que compara com 22% que preferem filmes. Estes números confirmam como as séries são o pilar básico das receitas do streaming.

Um dado a reter é que as plataformas de streaming estão cada vez mais a investir em conteúdos europeus. O investimento em produções europeias subiu de 8% em 2020 para 24% em 2024, o que se deve quer aos incentivos oficiais, quer ao interesse por histórias locais.

Já este ano Alemanha criou novas regulamentações que obrigam a que as plataformas internacionais de streaming, mas também os operadores alemães, dediquem um mínimo de 8% das receitas obtidas na Alemanha a investimentos em produções locais e aqueles que investirem 12% das receitas ou mais terão incentivos e poderão beneficiar de medidas especiais de apoio.

A Alemanha juntou-se assim a pelo menos 12 outros países europeus, que obrigam as plataformas de streaming a investir em produções locais.

Já agora, segundo dados de inícios de 2026, mais de metade dos portugueses (cerca de 53,3% ) já utilizam plataformas de streaming,

O consumo de vídeo on demand tornou-se o principal meio audiovisual em Portugal, superando a televisão tradicional, e as plataformas com mais utilizadores são Netflix, Disney+ e HBO.

(Texto publicado originalmente no Jornal de Negócios)