Na semana passada a TVI revelou que a FIFA está a pedir 430 mil euros pela transmissão televisiva de cada jogo do Mundial 2026, mais do dobro do valor pago por aquele canal para transmitir os jogos do Mundial de 2022.

Este ano o Mundial acontece no continente americano com 104 jogos entre as 48 selecções de futebol presentes, que decorrerão no Canadá, Estados Unidos e México. Globalmente, a FIFA prevê angariar 3,4 mil milhões de euros com os direitos de transmissão do Mundial.

Mas este ano há novos players interessados, para além dos canais tradicionais: algumas das plataformas de streaming começaram a apostar cada vez mais em transmissões directas de eventos desportivos e o Mundial de futebol é muito apetecível.

O interesse pelos direitos de transmissão de jogos de futebol e de outras modalidades desportivas nasce porque estes conteúdos são chamarizes de audiências e há plataformas de streaming que os querem a quase qualquer preço para cativar novos assinantes.

Reparem: no ano passado a transmissão de jogos de futebol nos diversos canais generalistas portugueses ocupou os 24 primeiros lugares dos programas mais vistos, de todos os géneros, em todos os canais. Este fenómeno repete-se um pouco por todo o Mundo.

É por isso que as plataformas de streaming querem estas transmissões e, como têm outros recursos financeiros que os canais generalistas já não possuem, provocam um inevitável aumento dos preços.
Com valores como os referidos inicialmente é cada vez mais complicado para os canais generalistas, gratuitos, garantir a amortização do investimento através da publicidade.

Este ano já se sabe que a SportTV disponibilizará aos seus assinantes os 104 jogos do torneio, mas a grande novidade é que o canal digital LiveModeTV, que transmite no Youtube, já anunciou que fará a transmissão, sem custos para os espectadores, dos encontros da selecção nacional e de outros jogos.
Esta é mais uma machadada na influência dos canais generalistas, que vêem as suas audiências cada vez mais ameaçadas.

Ao fim de semana o número de telespectadores que prefere os canais de cabo e as plataformas de streaming anda frequentemente acima dos 60%, o que deixa para os canais generalistas menos de 40% do total de espectadores. Na televisão tudo está a mudar e cada vez mais depressa.

(Publicado originalmente no Jornal de Negócios)