Americanos valorizam a informação, mas rejeitam pagá-la
Um novo estudo do Pew Research Center revela uma tendência nos Estados Unidos: a maioria dos cidadãos não paga por notícias e não considera necessário fazê-lo. A investigação, baseada num inquérito a 3560 adultos e em grupos de foco, mostra que não existe consenso quanto à importância de acompanhar a actualidade, mas há acordo num ponto — o desinteresse pelo pagamento de conteúdos jornalísticos.
Segundo o relatório, 83% dos inquiridos afirmaram não ter pago por qualquer fonte de notícias no último ano, seja através de subscrições, donativos ou associações. Entre as razões mais citadas está a abundância de conteúdos gratuitos disponíveis online. Como reiterou um participante jovem: “Acho que pagar por notícias é um luxo”, acrescentando que é possível aceder à informação gratuitamente através de pesquisas na internet.
Os dados mostram também que a disposição para pagar varia consoante o perfil socioeconómico e político. Os grupos mais propensos a pagar incluem pessoas com rendimentos elevados, com formação académica avançada e eleitores democratas liberais. Em contrapartida, apenas 8% dos inquiridos consideram que existe uma responsabilidade cívica de pagar por notícias, sendo essa ideia particularmente rejeitada por jovens, pessoas de baixos rendimentos e eleitores republicanos.
Algumas opiniões recolhidas nos grupos de foco ilustram esta visão. Uma participante afirmou: “Não acho que a informação deva ser um privilégio”, enquanto outra comparou o pagamento de notícias a práticas religiosas, questionando: “se a missão é transmitir factos importantes para o bem-estar das pessoas, preciso de pagar por isso?”.
Paradoxalmente, muitos inquiridos acreditam que as organizações noticiosas estão financeiramente saudáveis: 11% consideram que estão “extremamente bem”, 23% “muito bem” e 37% “razoavelmente bem”. Quando questionados sobre as fontes de financiamento, 45% apontam a publicidade e o patrocínio como principal via de receitas, enquanto apenas 11% defendem subscrições pagas. O financiamento público surge com pouco apoio declarado, embora com opiniões inconsistentes nos debates qualitativos.
O estudo evidencia ainda transformações nos hábitos de consumo informativo. Existe uma divisão geracional: adultos com mais de 50 anos tendem a procurar activamente notícias, enquanto os mais jovens afirmam que as notícias lhes chegam de forma incidental, sobretudo através de plataformas digitais. Além disso, embora dois terços considerem importante verificar a veracidade da informação, o significado de “fazer a sua própria pesquisa” varia muito — desde comparar várias fontes até simples pesquisas online.
Por fim, há divergências sobre quem deve assumir a responsabilidade pela literacia mediática. Cerca de 44% defendem que cabe aos próprios cidadãos verificar a veracidade das notícias, enquanto outros apontam para as organizações noticiosas, escolas, governo, famílias ou plataformas tecnológicas.
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