O director-geral da BBC, Tim Davie, e a directora executiva de notícias da estação, Deborah Turness, apresentaram a sua demissão na sequência da controvérsia em torno de uma edição do programa Panorama, que deturpou o discurso de Donald Trump no Capitólio a 6 de Janeiro de 2021. 

Como noticia a RTP, a edição juntava duas partes do discurso, proferidas com uma hora de intervalo, dando a entender que Trump apelava os seus apoiantes à insurreição. Na realidade, a expressão “lutar com todas as suas forças” referia-se a um momento distinto do discurso, em que o presidente incentivava os seus apoiantes a apoiar os senadores e representantes no Congresso.

O episódio polémico foi emitido cinco dias antes das eleições de 5 de Novembro de 2024, levando a acusações de manipulação editorial e enviesamento institucional. 

Em comunicado, Tim Davie afirmou: “Esta é uma decisão inteiramente minha, e continuo muito grato ao Presidente e ao Conselho pelo seu apoio inabalável e unânime durante todo o meu mandato, incluindo nos últimos dias. Tenho reflectido sobre as intensas exigências pessoais e profissionais de gerir este cargo ao longo de muitos anos nestes tempos conturbados, além do facto de querer dar ao meu sucessor tempo para ajudar a moldar os planos da Carta que ele irá implementar.” 

Por sua vez, Deborah Turness declarou: “A responsabilidade final é minha. Embora tenham sido cometidos erros, quero deixar absolutamente claro que as recentes alegações de que a BBC News tem um enviesamento institucional são falsas”, acrescentando que “a controvérsia em torno do programa Panorama sobre o presidente Trump chegou a um ponto em que está a prejudicar a BBC - uma instituição que adoro.” 

O caso ganhou força após a publicação de um memorando interno da BBC pelo jornal The Daily Telegraph, escrito por Michael Prescott, antigo consultor do comité de normas editoriais. O documento alertava para a edição que fazia Trump parecer encorajar os protestos no Capitólio, embora Prescott tivesse deixado o cargo em Junho. 

A BBC já tinha pedido desculpas formais pela edição do discurso de Donald Trump, mas considerou não haver base legal para um processo por difamação. Entretanto, o presidente norte-americano disse que não aceita as desculpas e vai avançar contra a emissora britânica e exigir o pagamento de uma compensação que pode chegar aos 5 mil milhões de dólares. 

(Créditos da imagem: Unsplash)