O Instituto Internacional da Imprensa (IPI) congratulou-se com a libertação de nove jornalistas bielorrussos no passado dia 11 de Setembro, no âmbito de um acordo mediado com a administração Trump que levou ao levantamento parcial de sanções dos EUA à Bielorrússia. Apesar deste gesto, o IPI apelou à libertação de outros 27 jornalistas ainda detidos sob acusações de motivação política. 

Foram libertados ainda 52 presos políticos, que foram imediatamente escoltados até à fronteira com a Lituânia. Segundo as autoridades, teriam de escolher entre o exílio ou a reclusão. 

Entre os libertados estão nomes como Ihar Losik (RFE/RL), condenado a 15 anos de prisão, e Iryna Slavnikova, da Belsat, presa desde 2021. Os crimes atribuídos a estes profissionais incluem "extremismo", "desacreditar a Bielorrússia" e "incitamento ao ódio", com penas que variavam entre 4 e 15 anos de prisão. 

“Embora saudemos a libertação de nove jornalistas corajosos (...), também exigimos a libertação dos seus colegas que permanecem atrás das grades”, declarou Karol Łuczka, líder de advocacia do IPI para a Europa de Leste. 

Segundo Łuczka, os jornalistas que permanecem detidos “enfrentam maus-tratos e, em muitos casos, tortura”. Sublinhou ainda que estes profissionais deveriam ter o direito de “fazer o seu trabalho em casa – e não forçados a abandonar o seu país para sempre.” 

A Associação Bielorrussa de Jornalistas (BAJ), actualmente no exílio, confirma que a Bielorrússia continua a ser um dos países com mais jornalistas presos no mundo, mesmo após estas libertações. 

A repressão aos media na Bielorrússia intensificou-se após as eleições presidenciais de 2020 e os subsequentes protestos massivos contra o regime de Alexander Lukashenko, que está no poder há mais de 30 anos. 

O jornalismo independente é, na prática, legalmente proibido na Bielorrússia, com vários artigos do código penal do país a preverem penas de prisão para acusações vagas e politicamente manipuláveis, como "desacreditar a Bielorrússia" ou "insultar" Lukashenko.

(Créditos da imagem: Sergei GAPON / AFP)