Os hábitos de consumo de notícias estão a mudar profundamente e as diferenças geracionais são cada vez mais evidentes. Um novo estudo do Media Insight Project, realizado junto de adolescentes e adultos norte-americanos, conclui que os influenciadores e criadores independentes assumem um papel cada vez mais central na forma como os cidadãos se informam, sobretudo entre os mais jovens. 

Segundo a investigação, 57% dos adolescentes e adultos afirmam obter notícias e informações através de influenciadores “pelo menos ocasionalmente”. Entre os jovens dos 13 aos 17 anos, a percentagem sobe para 81%. 

O relatório, intitulado The Evolving News Landscape: Comparing Media Habits and Trust Between Teens and Adults, analisou mais de 2000 entrevistas e traçou um retrato detalhado das diferenças entre cinco grupos etários distintos, dos adolescentes aos maiores de 65 anos. 

Redes sociais dominam entre adolescentes 

Os resultados mostram uma clivagem geracional muito marcada. Enquanto os adolescentes recorrem sobretudo às redes sociais para acompanhar notícias, os adultos mais velhos continuam fortemente ligados à televisão e aos jornais. “O panorama mediático está a diversificar-se rapidamente, mas continua assente em comportamentos e expectativas de longa data”, refere o estudo. 

Os jovens entre os 13 e os 17 anos são o único grupo etário em que a maioria (57%) consome notícias através das redes sociais diariamente. Já entre os maiores de 65 anos, 74% continuam a depender sobretudo da televisão. 

O interesse por temas considerados “notícias sérias” — política, economia, questões sociais ou ambiente — aumenta com a idade. Apenas 12% dos adolescentes são classificados como “consumidores ávidos de notícias factuais”, contra 35% dos adultos com mais de 65 anos. 

Em contrapartida, os adolescentes destacam-se pelo interesse em conteúdos ligados ao estilo de vida e entretenimento: 48% acompanham regularmente esse tipo de temas. 

Influenciadores inspiram confiança moderada 

Apesar da crescente relevância dos criadores digitais, o estudo revela uma relação ambivalente com estas novas figuras mediáticas. A maioria dos inquiridos afirma confiar “pelo menos até certo ponto” nos influenciadores para verificarem factos, serem transparentes ou apresentarem diferentes perspectivas. 

Ainda assim, apenas um quarto dos participantes considera que os criadores independentes são melhores do que os meios tradicionais no tratamento equilibrado dos temas ou na apresentação correcta dos factos. 

Curiosamente, democratas e republicanos demonstram níveis semelhantes de confiança nos influenciadores, algo que não acontece com os meios de comunicação tradicionais, onde persistem fortes divisões políticas. 

A transparência surge como um dos factores mais valorizados pelo público. Metade dos inquiridos considera “muito importante” que os criadores sejam claros sobre conteúdos patrocinados e sobre a missão das suas contas. Em contraste, apenas 10% valorizam o número de seguidores. 

Notícias locais mantêm maior credibilidade 

O jornalismo local continua a destacar-se como a fonte considerada mais fiável. As notícias locais são vistas como as mais úteis para as comunidades e as menos responsáveis pela disseminação de desinformação. Apenas 35% culpam os meios locais pela propagação de informação falsa, enquanto 66% responsabilizam os políticos. 

O estudo sublinha, contudo, que os caminhos para chegar às notícias locais estão também a mudar. Entre os adolescentes, 48% obtêm informação local através de influenciadores ou criadores independentes locais, contra apenas 23% dos adultos mais velhos. 

Apesar disso, os meios locais continuam a ser considerados eficazes na verificação de factos e na cobertura de assuntos importantes para a comunidade. 

IA ainda gera desconfiança 

Os sistemas de inteligência artificial aparecem no fim da tabela da confiança pública. Apenas uma em cada dez pessoas considera os chatbots de IA mais fiáveis do que outras fontes noticiosas. Dois terços dos inquiridos afirmam nunca utilizar ferramentas de IA para obter notícias ou informações, um dado que ajuda a explicar o elevado grau de cepticismo. 

Fadiga informativa leva à evasão de notícias 

O relatório identifica também um fenómeno crescente de desgaste emocional associado ao consumo noticioso. Muitos participantes dizem sentir-se sobrecarregados pelas notícias e poucos afirmam que estas lhes oferecem “uma visão esperançosa do mundo”. 

Como consequência, adolescentes e adultos estão a evitar determinados conteúdos. Notícias sobre celebridades lideram a lista de temas rejeitados (71%), seguidas pela política nacional e conteúdos relacionados com Donald Trump. 

“O público não está a rejeitar as notícias de forma generalizada, mas está a gerir activamente a sua exposição”, conclui o estudo. 

Um desafio para o jornalismo tradicional 

Os autores do estudo defendem que os meios de comunicação terão de encontrar novas formas de colaboração com criadores independentes, influenciadores e redes locais de informação, se quiserem manter relevância num mercado em rápida transformação. 

Ao mesmo tempo, o estudo deixa um alerta claro: embora os influenciadores estejam a ganhar espaço, a confiança geral nas fontes de notícias permanece baixa e nenhum actor mediático parece ainda capaz de preencher plenamente esse vazio.

(Créditos da imagem: American Press Institute)