No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Ambiente, o Instituto Internacional de Imprensa (IPI) renovou o seu apelo à comunidade internacional para que seja reforçado o apoio e a protecção aos jornalistas especializados em clima e ambiente, sublinhando o papel vital do jornalismo independente na resposta à crise ambiental global. 

"O jornalismo climático e ambiental nunca foi tão importante face ao estado alarmante do futuro do planeta – e, no entanto, cobrir estes temas críticos nunca foi tão perigoso", alerta o IPI. 

A rede global do IPI insta a comunidade internacional a assegurar condições que permitam reportagens rigorosas, independentes e seguras, sublinhando que o acesso à informação sobre a emergência ambiental e climática é essencial para proteger a saúde, a prosperidade e a segurança das sociedades em todo o mundo. 

Segundo o IPI, o jornalismo ambiental desempenha um papel crucial na denúncia de abusos de poder, corrupção e violações dos direitos humanos, muitas vezes relacionados com a exploração de recursos naturais. Contudo, “os jornalistas especializados em clima e ambiente enfrentam múltiplas e complexas ameaças ao seu trabalho. Estas ameaças incluem assédio legal, prisão e detenção, ataques físicos e intimidação, assédio online, restrições à liberdade de circulação e obstáculos ao acesso à informação”. 

O instituto adverte que os jornalistas de grupos vulneráveis, nomeadamente mulheres e profissionais que operam em regiões remotas ou frágeis em termos de Estado de direito, enfrentam riscos acrescidos. De acordo com dados do IPI, mais de 700 jornalistas ambientais foram alvo de ataques nos últimos 15 anos, incluindo mais de 40 assassinatos "quase sem qualquer responsabilização”. 

O IPI denuncia ainda o uso crescente de campanhas de desinformação e difamação online, que visam desacreditar jornalistas e enfraquecer a confiança pública na ciência climática, promovendo assim narrativas negacionistas e interesses instalados. 

Estas ameaças resultam frequentemente em censura, autocensura ou apagões informativos, prejudicando o debate público e comprometendo a capacidade das sociedades para responder à crise climática de forma informada e eficaz. 

“Os Estados devem fazer mais para garantir que os jornalistas climáticos e ambientais possam fazer o seu trabalho de forma independente, livre e segura”, insiste o director executivo do IPI. “Isso inclui garantir o acesso à informação, proteger os jornalistas contra o assédio judicial e as chamadas SLAPPs (acções judiciais estratégicas contra a participação pública), implementar mecanismos eficazes de segurança e pôr fim à impunidade para crimes cometidos contra jornalistas ambientais.” 

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