Jornalistas “freelancer” da AFP denunciam contratos precários
O Le Monde avança que alguns jornalistas freelancer que trabalham com a Agence France-Presse (AFP) criticam publicamente as condições laborais na empresa, apontando o uso de “contratos de prestação de serviços” que, segundo eles, precarizam os vínculos profissionais. Correspondentes próximos da reforma também expressam preocupação, alegando que a empresa tem feito "contribuições insuficientes”.
As críticas estendem-se a toda a estrutura de recursos humanos da agência, atingindo tanto os profissionais mais antigos quanto os mais precários. A agência é ainda acusada de práticas irregulares de pagamento: “estes jornalistas podem ter sido pagos por fora pela AFP, por transferência bancária ou por fatura para uma empresa autónoma em França, o que complica ou até mesmo impede que eles obtenham um cartão de imprensa”, refere o Le Monde.
A sede da AFP em Paris está a exigir que alguns colaboradores em gabinetes da Europa, África e Ásia assinem contratos de prestação de serviços que excluem um vínculo laboral com a agência. Segundo Elise Descamps, da CFDT-Journalistes, “este contrato consagra a sua precariedade”, eliminando, por exemplo, o reconhecimento da antiguidade.
Vários jornalistas recusaram-se a assinar, relatando suspensões e sentimento de instabilidade. "Embora a direcção da agência tenha declarado num e-mail à Sociedade de Jornalistas da AFP em 16 de Abril que ‘não forçou nenhum jornalista a assinar um contrato" ou "encerrar qualquer colaboração’, vários escritórios locais já pararam de contactar os recalcitrantes, falando em ‘suspensão’ até que os contratos sejam assinados”.
Numa mensagem interna de 2 de Abril, a AFP justificou os contratos de prestação de serviços como parte de um “trabalho de clarificação do estatuto destes freelancers”, argumentando que aplicar as disposições legais francesas no estrangeiro seria “negar a lei local”. Esta posição é contestada pelos sindicatos CFDT e SNJ, que veem na prática uma “evasão ao trabalho assalariado” e violação da lei Cressard, que protege os trabalhadores independentes em França. Uma reunião com a direcção da AFP está marcada para este mês.
(Créditos da imagem: AP Photo/Michel Euler)