Segundo o documento a que a Agência Lusa teve acesso, a TIN, que detém publicações como a Visão e a Exame, propõe aos credores um "compromisso de aporte de até 1,5 milhões de euros, faseadamente, e em função das necessidades da empresa para reforçar a tesouraria", por parte do accionista único, Luís Delgado.  

O plano mantém ainda a intenção de suspender, licenciar ou vender publicações como TV Mais, Telenovelas, Caras Decoração, Prima, Visão Saúde, Visão Surf e This Is Portugal, sendo que, "com excepção da Telenovelas, todas as outras publicações já estão suspensas". 

O documento indica que "a TIN está empenhada em tentar encontrar estas soluções (venda/licenciamento) no mais curto espaço de tempo, ainda em 2025" e que pretende ainda um “ajuste na periodicidade, se necessário, de algumas revistas, mantendo apenas as mais rentáveis", além da redução de 70% do espaço físico (50% já foi reduzido) e o encerramento da delegação no Porto.  

O quadro de colaboradores será reduzido, “proporcional à suspensão de publicações, com reestruturação interna". Os custos com pessoal “não poderão ultrapassar os 250 mil euros por mês”, um objectivo visto como alcançável “com o apoio e intervenção do administrador da insolvência". 

O pagamento das dívidas será faseado, no caso da Autoridade Tributária e Segurança Social, em 150 prestações, além de um "plano de pagamento de 12 a 15 anos para credores comuns e garantidos" e da "possibilidade de permuta de publicidade para pagamento de parte das dívidas". 

No sentido de aumentar receitas, o plano prevê o “aumento de assinaturas digitais e melhoria da plataforma de e-commerce", “parcerias com outros grupos editoriais”, a "exploração de novos formatos de conteúdo e o "licenciamento de marcas para gerar receita adicional". 

Quanto ao impacto desta reestruturação, a empresa aponta uma "melhoria gradual da rentabilidade, com um retorno a resultados positivos esperado a médio prazo", evitando-se a liquidação da empresa e "preservando postos de trabalho e activos". O modelo de negócio será ajustado para um formato mais sustentável e digital, garantindo o pagamento aos credores. 

O plano inclui a criação de uma task force com directores responsáveis por analisar custos e contratos “passíveis de serem renegociados ou cessados, sem qualquer penalização para a empresa” e apresentar medidas para aumentar receitas. As sugestões serão implementadas após aprovação da gerência e do administrador da insolvência. 

A proposta para a continuidade da TiN, mediante a apresentação de um plano de insolvência num prazo de 30 dias, foi aprovada em Assembleia de Credores, em 29 de Janeiro, mantendo-se os títulos em actividade. Entretanto, o relatório será submetido à Assembleia de Credores para “deliberação sobre o teor do mesmo”.

(Créditos da imagem: Site da TIN)