O último relatório da We Social Media afirma que o tempo diário gasto na Internet já é menor do que antes da pandemia. Embora fosse compreensível que as políticas de abertura gradual em torno do Covid, reduzissem os altos índices de consumo detectados durante o confinamento, não era tão previsível que se registassem menos horas por dia de permanência na internet do que antes do início da pandemia e dos confinamentos.

De acordo com o relatório, os internautas reduziram o tempo que passam online, “focando mais na qualidade do que na quantidade”. A alteração confirma também uma menor frequência de visitas aos sites, em termos proporcionais, a que se junta o cansaço de estar permanentemente ligado para estar informado de tudo o que se passa.

Uma das estratégias que surge perante este crescimento do cansaço, devido à infinidade de conteúdos informativos e de lazer que povoam os media e a Internet, é a aposta na criação de produtos finitos.

O último relatório do Instituto Reuters, já apontava nessa direcção. De acordo com o estudo “Jornalismo, Media e Tecnologia: Tendências e Previsões para 2023”, a maioria dos editores (72%) estão preocupados com o aumento de utilizadores que evitam as notícias (especialmente em torno de temas relevantes, mas muitas vezes deprimentes, como a guerra na Ucrânia e as mudanças climáticas) e apenas 12% não demonstram nenhuma preocupação.

Os media, segundo o relatório, planeiam contrariar essa tendência com conteúdo explicativo (94%), formatos de perguntas e respostas (87%) e histórias inspiradoras (66%), opções consideradas importantes ou muito importantes neste ano. Produzir notícias mais positivas (48%) foi uma resposta menos popular.

Mas, embora esses formatos estejam a ser explorados, há outros finitos como newsletters ou podcasts que resumem o dia ou antecipam os destaques. A estratégia de criação de edições temporárias finitas volta a ganhar força, para que o assinante ou utilizador fiel, independentemente do facto de poder continuar a consultar a informação a qualquer hora, tenha uma secção que resume o que aconteceu até aquele momento.

Esse tipo de produto seria especialmente necessário nos media de países como Espanha, que é um dos que tem a menor taxa de uso diário da Internet no mundo. De acordo com o referido inquérito da We Social Media, o tempo médio diário de ligação à Internet é de 5 horas e 45 minutos. Dos 46 países analisados, Espanha ocupa a 36.ª posição. Apenas nove países têm menos tempo de uso da Internet. A média mundial é de seis horas e 37 minutos, quase uma hora a mais do que os utilizadores espanhóis.

No topo das horas despendidas na Internet está a África do Sul, com mais de nove horas e meia. Entre os países com maior uso estão Argentina e Colômbia, com mais de nove horas diárias. O país que menos a utiliza é o Japão, com três horas e 45 minutos.