A falta de diversidade nas redacções como factor discriminatório dos jornalistas
De todas as redes sociais, a plataforma Twitter é, actualmente, a mais usada no campo jornalístico, uma vez que permite que os jornalistas “criem conexões mais fortes e íntimas com o seu público, cultivem as suas próprias identidades profissionais e advoguem por melhores condições de trabalho”.
No entanto, esta rede social é igualmente usada para perseguir e assediar jornalistas, na forma de linguagem abusiva, sexista, racista e ameaçadora, havendo a tentativa de fazer com que os profissionais se demitam do seu trabalho.
Esta questão foi estudada, mais recentemente, na revista Social Media + Society, onde foram realizadas entrevistas que demonstraram que os visados que mais sofrem de discriminação são as mulheres jornalistas e as minorias étnicas.
Este tipo de abuso “pode levar ao silenciamento de diversas vozes nos media”, particularmente porque estes grupos não se sentem protegidos ou apoiados por parte da direcção editorial onde trabalham.
A investigação permitiu concluir que existe um falta de representação no sector, uma vez que, apesar de “sofrerem mais hostilidade online, [as mulheres jornalistas e as minorias étnicas] tendem, também, a ser os menos representados na liderança das suas redacções”.
Isto leva a que, muitas vezes, sintam que as suas preocupações, opiniões e/ou queixas sejam desvalorizadas face à falta de diversidade e representação na liderança, existindo uma “desconexão entre os jornalistas activos nas redes sociais e os seus responsáveis”.
Os entrevistados acrescentaram, também, que, apesar de serem obrigados a não publicar notícias ou comentários que possam ser vistos como tendenciosos, acabam por ter de operar subordinados às convicções dos seus superiores.
Novembro 22
Por sua vez, a falta de diversidade nas redacções implica que continuem a existir comportamentos tendenciosos dos editores, que “não conseguem ver os seus próprios preconceitos, considerando-se neutros e objectivos”. Além disso, desenvolve-se uma tendência de estes designarem “as experiências de algumas jornalistas e de alguns jornalistas de raça negra como, inerentemente, tendenciosas”.
Com base no estudo mencionado, Kaitlin C. Miller e Jacon L. Nelson concluiram, num texto publicado na Columbia Journalism Review, que alguns jornalistas de origens mais diversificadas deveriam ser, também, considerados para cargos de liderança e, no mínimo, consultados acerca das políticas de redacção em relação às redes sociais.
De acordo com os profissionais entrevistados, essas mudanças conduziriam “à criação de políticas suscetíveis de responder ao assédio nas redes sociais, e protegendo as organizações?e os?jornalistas de igual forma, assim como um plano de resposta mais equitativo em relação às acusações de preconceito contra jornalistas”.
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